Imagem ilustrativa da imagem Sábado de festa e homenagem no Centro POP
| Foto: Micaela Orikasa / Grupo FOLHA

Mônica Damião, 29, não se lembra quando foi a última vez que usou maquiagem, mas ao se olhar no espelho o sorriso foi espontâneo. “Maquiagem é da hora. Ela dá um poder para as mulheres e fazia muito, mas muito tempo que eu nem passava um batom”, disse.

A maquiagem foi uma das atividades propostas no evento “A Rua Resiste”, promovido na manhã deste sábado (17), pelo Centro POP (Centro de Referência Especializado para População de Rua) de Londrina.

A programação foi diversificada e contou com a ajuda de voluntários e parceiros. Esta é a primeira vez que o espaço abre as portas para a população com o objetivo de relembrar o “massacre da Sé”.

Como explicou a coordenadora técnica do Centro POP, Flávia Andrease, o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto, faz alusão ao episódio que resultou na morte de sete pessoas e deixou oito feridos há 15 anos, no centro de São Paulo.

“É uma oportunidade de falarmos sobre a garantia de direitos dessa população. Durante todo o mês, em nossos atendimentos e oficinas, estamos falando sobre a importância da conscientização para a defesa dos direitos e da responsabilização dos cidadãos”, ressaltou.

Imagem ilustrativa da imagem Sábado de festa e homenagem no Centro POP
| Foto: Micaela Orikasa / Grupo FOLHA

Cerca de 200 pessoas que estão em acolhimento, em situação de rua ou em processo de superação passaram pelo evento. Eles receberam um café da manhã preparado pelo grupo “Amigos da Misericórdia”, da Catedral Metropolitana de Londrina, assistiram apresentações artísticas de dança, música e teatro e, ex-usuários do espaço e voluntários fizeram grafitagem e maquiagem.

Uma encenação reuniu a Cia Pop Show, grupo de teatro formado por frequentadores do Centro POP. “Não tem um trabalho de escala, 'hollywoodiano', mas é de carne e osso. A gente também tem o direito de ser feliz”, comentou o participante Renato Galdino.

Textos, pinturas e desenhos desenvolvidos nas oficinas também ganharam um espaço para serem apreciados. Como as esculturas em argila de José Bezerra da Silva Neto, 45. Hoje, ele está se dedicando ao artesanato e mora na república do município.

José Bezerra da Silva Neto e suas esculturas: "hoje me sinto muito bem. Se recuperar não é tarefa fácil”
José Bezerra da Silva Neto e suas esculturas: "hoje me sinto muito bem. Se recuperar não é tarefa fácil” | Foto: Micaela Orikasa / Grupo FOLHA

Silva Neto é um dos exemplos de superação do Centro POP. “Morei muitos anos no Calçadão, em frente ao Ouro Verde, sem família, apoiado nas drogas. Quando resolvi procurar ajuda, várias mãos daqui se estenderam para mim e hoje me sinto muito bem. Se recuperar não é tarefa fácil”, desabafou.

Centro POP

A nova sede do Centro POP, próximo ao Terminal Rodoviário de Londrina, foi inaugurada em 26 de fevereiro de 2016 e realiza uma média de 65 atendimentos diariamente.

O espaço atende pessoas desabrigadas de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com cuidados em higiene pessoal, atividades terapêuticas e encaminhamento para alimentação, abrigo e atendimento médico.

Massacre da Sé

Em 2004, o brutal assassinato de sete pessoas em situação de rua, na região da Praça da Sé, em São Paulo, ficou conhecido como “massacre da Sé”. As vítimas morreram com golpes na cabeça enquanto dormiam e oito pessoas ficaram feridas.

O caso ganhou repercussão internacional e desde então, a data de 19 de agosto ficou marcada como Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. Em ao menos 12 estados brasileiros, o MNPR (Movimento Nacional da População de Rua), em conjunto com outras entidades, realiza ações em diferentes cidades em comemoração à data.

Em Londrina, o MNPR surgiu em 2016 e atualmente André Luiz Barbosa, 44, é um dos coordenadores. “A gente responde por aproximadamente 400 moradores de rua perante o Poder Público. Estamos agregados ao movimento de Curitiba”, disse.

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