A Sercomtel S/A Telecomunicações firmou, no último dia 14, acordo de associação com duas empresas coreanas, Samsung Eletronic e Korea Telecom (KT), permitindo que as megacorporações se consorciem para participar de licitações destinadas à privatização da telefonia celular, Banda B, no Brasil. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida. ‘‘A transformação da Sercomtel em sociedade anônima começa a render dividendos’’, disse. Enquanto autarquia, o Sercomtel não podia participar da exploração do mercado.
A abertura do serviço de telefonia celular no Brasil à iniciativa privada começou oficialmente ontem com a publicação, no Diário Oficial da União, da portaria e anexo autorizando a abertura do edital de licitação para a Banda B, a ser explorada nas dez áreas em que foi dividido o País. Os interessados têm prazo até janeiro para publicar editais de exploração do serviço e até fevereiro devem estar formados os consórcios e apresentadas as propostas.
Para que seja firmado o consórcio, que deve ter 51% de capital nacional, Sercomtel e empresas coreanas deverão decidir sobre um novo parceiro, que vai completar a estrutura da associação. A Sercomtel, segundo Cheida, vai entrar com um quarto dos investimentos. Mas o valor depende da área a ser disputada. ‘‘Temos uma força-tarefa estudando todas as áreas mas ainda não há nada definido.’’
De acordo com o prefeito, a Sercomtel, ao participar do consórcio, deverá colher muitos dividendos. Ele cita a aquisição de tecnologias que a empresa pública ainda não domina e a obtenção de lucro que será dividido entre os acionistas, elevando o valor das ações e do patrimônio da sociedade anônima. Além dos recursos a serem reinvestidos na empresa para melhoria da telefonia local.
Sobre os novos parceiros, o prefeito disse que a Samsung vai entrar com 49% do valor a ser investido na exploração da telefonia celular Banda B e os 51% restantes serão divididos entre Sercomtel e o parceiro que vem sendo estudado.
Cheida disse que uma equipe da Sercomtel visitou as empresas coreanas para constatar a pertinência de exploração do serviço, qualificação, aporte financeiro e rendimento. O conglomerado Sansung, formado por mais de 50 empresas subsidiárias, teve faturamento da ordem de US$ 20,9 bilhões em 1995. A Korea Telecom, operadora corena, possui em seu acervo técnico mais de 21 milhões de linhas telefônicas, contando com mais de 18 milhões de usuários em telefonia. Faturou no ano passado US$ 8,3 bilhões.
O diretor de marketing e de relações com o mercado, Rubens Pavan, definiu a Sercomtel como um parceiro estratégico. Uma das atuais operadoras independentes do sistema Telebrás, disse ele, a Sercomtel é conhecido no setor de telecomunicações pela sua eficiência. ‘‘É uma empresa pequena, enxuta, a melhor operadora brasileira e que oferece o melhor padrão de serviços no País.’’
Além disso, a Sercomtel tem demanda de telefonia fixa e celular totalmente atendida. O município de Londrina tem o índice de 23 telefones para cada 100 habitantes, na telefonia celular. A Sercomtel foi uma das operadoras pioneiras no setor da telefonia celular no Brasil, em 1992, e a primeira a utilizar a tecnologia digital em celular, em maio deste ano.
O presidente da Sercomtel S/A, Gilbert Garcia de Souza, disse que ainda não estão definidos os valores dos investimentos, a participação de cada uma das empresas no consórcio e as regiões onde o grupo pretende disputar as licenças, que serão licitadas pelo governo federal. Mas a tecnologia a ser utilizada já está certa: é a digital, no padrão IS-95, CDMA (Códigos de Divisão de Múltiplo Acesso), fabricada pela Samsung. Na Coréia, o sistema já se encontra em operação desde janeiro deste ano, onde funciona com mais de 400 mil assinantes.
No começo do mês, o vice-presidente executivo de telecomunicações da Samsung Eletronics, Yong-Ro Song, informou que o investimento da Samsung, caso venha a ficar com uma das regiões do País que devem entrar em licitação, será de US$ 1 bilhão.

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