RUTH BOLOGNESE
NA MIRA DA TOGA (II)
Esta é a continuação do estudo sobre o que é permitido na próxima campanha eleitoral. Trata-se de um guia que, se seguido à risca por candidatos a prefeito e vereador, poderá ser um instrumento valioso na busca dos votos. Garantia de vitória, porém, não dá. Isso porque, se desse, não seria publicado aqui, mas sim utilizado como passaporte financeiro para uma vida tranquila, à beira de sol e mar, nas... Bahamas. Vamos lá:
1) Santinhos e out-doors
Pode, o que facilita a vida dos candidatos que estavam logo atrás da Giselle Bundchen quando Deus trabalhou na beleza da raça humana. Mas se for feio demais, o candidato pode ganhar votos por dó e os fins justificam...
Se for bonito demais, vai concorrer com o senador Álvaro Dias, que tem 61 anos de experiência no assunto e supera até revendedora Avon, quando se trata de disfarçar as imperfeições da epiderme.
2) Entrevistas
Terreno pantanoso. Mesmo no fervor da hora é bom lembrar: se o candidato falar mal do adversário, lá vem multa. Se falar bem, lá vem suspeita de acordo branco. Se contar a história da própria vida, dá morte na família.
3) Doações
Doador laranja tem que ser como doador de órgão: nenhum dos lados precisa saber de quem se trata. Que o diga o deputado petista, André Vargas.
4) Marido na campanha
Maridão por perto é bom. Mas favor entrar em contato com a Hillary Clinton, que perdoou o marido, a estagiária e o charuto e, mesmo assim, perdeu a indicação para ser a mulher mais poderosa do planeta.
E também falar com a Marta Suplicy, que trocou o marido por um argentino durante a campanha e o Senador só foi perceber quando ela já era a prefeita de São Paulo. Espeeeerta que só ela.
Agora, se o maridão for ministro do Planejamento do presidente Lula e se chamar Paulo Bernardo, tem cadeira cativa durante o processo eleitoral. Porque ninguém é besta.
5) Mãe na campanha
Faca de dois gumes. Se a santa mãe tiver mais de 90 anos e não ouvir direito, é inofensiva. É preciso só ficar atento para não esquecer a mãe no sol ou na chuva durante a correria do dia-a-dia.
Se a mãe for daquelas que ainda dão um bom caldo, todo cuidado é pouco. Por um filho, mãe faz qualquer coisa. E daí pra tudo descambar num barraco total, com denúncia de assédio moral, sexual, troca de bolo de coco por voto, coxinha de galinha por tempo na TV, e tudo o mais, é questão de como o candidato estiver na pesquisa. Quanto mais em baixa maior o perigo, porque mãe é mãe.
6) Brindes
Distribuir roupas de grife, anel de brilhante, carro do ano, casa na praia, viagem a Paris e cavalos de raça não caracteriza compra de votos, mas sim do curral eleitoral inteiro. Informação que só chegará na Justiça se o dono do curral achar pouco ou se o curral for muito independente.
Distribuir chaveirinho, lixa de unha, lápis, borracha, leque, baralho com calendário, caneta Bic ou santinho está liberado. Principalmente se o candidato for uma gaveta.
7) Carreatas
Que dá visibilidade, lá isso dá. Se for de caminhão de soja, carregado, nem se fala. De carro preto, só se o candidato tiver o apoio da máfia e assumir. Ou se for o defunto. De carro do ano, só se for dono de concessionária; e de BMWs, não se trata de carreata, mas dos amigos do deputado Marcelo Almeida (o maior herdeiro do Paraná) indo para as praias de Santa Catarina.
8) Marketing
Se nada der certo, a grande e preciosa dica é a contratação da colônia japonesa para montar o marketing e a organização da campanha. Todo mundo viu o espaço ocupado (a favor) na mídia do mundo inteiro pelo Imin 100.
É 100% garantido, nô!
Até a próxima eleição.





