Adeus às ilusões
  Depois de 22 anos de Câmara Federal, cumprindo o 6º mandato, o deputado federal Max Rosemann, do PMDB paranaense, se encontra naquela fase da atividade política que, como nos casamentos duradouros, a fantasia já foi embora há muito tempo, mas, em compensação, aprende-se a lidar, e até gostar, do cotidiano sem surpresas. Nesses longos anos, em que todas as terças-feiras pegou um avião para Brasília, e todas as quintas-feiras retornou para Curitiba, aprendeu a conviver com seus outros 29 colegas de bancada, e tem idéias próprias, sem distinção partidária, sobre esses homens tão diferentes que nos representam na Capital Federal. Mais: conhece a fundo a maneira de trabalhar de quase todos eles e não se vexa em apontar falhas e enganos até em unanimidades como Gustavo Fruet (PSDB): ‘‘Ele acreditou que poderia fazer a Polícia Federal investigar a Receita Federal, o Governo Lula e o Banco Central e nem conseguiu concluir seus relatórios. Pura ingenuidade’’. Ou como Osmar Serraglio, colega de partido e relator da CPI dos Correios: ‘‘Ele pediu a cassação de 40 pessoas e nada aconteceu’’. Seria aquele famoso ciúme de homem, mil vezes mais devastador e vingativo do que de mulher? Não parece.
  Sobre a capacidade do senador Álvaro Dias de obter projeção na mídia nacional, Rosemann afirma, convicto: ‘‘O Álvaro Dias deveria dar aula sobre o assunto. Sabe tudo’’. Elogia o colega Ricardo Barros (PP), a quem chama de ‘‘avião’’, mas adverte: ‘‘A gente precisa tomar cuidado com o Ricardo, é um furão daqueles. Conseguiu ser vice-líder do Fernando Henrique e agora é vice-líder do Lula’’.
  E vai mais longe: ‘‘O César Silvestre (PPS), faz um grande trabalho na área do consumidor, e o Hauly (PSDB), é um deputado excepcional na área de finanças’’. E continua apontando para o próprio terreiro: ‘‘Hoje, os deputados são muito segmentados, eleitos por categoria – o Abelardo Lupion (DEM), representa os Com Terra; o Assis Couto (PT), os Sem Terra; o ministro Paulo Bernardo foi eleito pelos funcionários do Banco do Brasil, o Nedson Micheleti
(atual prefeito de Londrina) teve o apoio do pessoal da Caixa Econômica, o Takayama (PSC), é da Assembléia de Deus. Então, quando eles resolvem os problemas de suas categorias, esquecem o resto’’.
Distância do Paraná
  Na última quarta-feira, Max Rosemann deixou a conversa rolar por quase 40 minutos ao telefone, falando daquilo que mais lhe empolga, o próprio trabalho político. Na avaliação geral da bancada paranaense, ele aponta oito deputados como ‘Fórmula Um’, em termos de competência parlamentar e em termos de projeção geral entre os 500 que compõem a Câmara Federal – os nossos nativos são apenas três num universo de 0 a 10. É o jeitão de Rosemann dizer que não estamos entre os piores dos piores no espaço disputado em Brasília, milímetro a milímetro, mas também não somos nenhuma brastemp. Reclama da distância real e antiga entre o governo do Paraná e seus secretários da bancada de Brasília.‘‘O Requião vem para Brasília, e a Casa Civil não avisa ninguém. Enquanto os outros governadores são recebidos pelas bancadas já no aeroporto, a gente encontra o nosso por acaso, nos corredores do Congresso’’. E até da ausência da imprensa paranaense na Capital: ‘‘A Folha de Londrina deveria ter um jornalista aqui, cobrindo as atividades diárias dos deputados, mas não tem’’.
Cada um na sua
  Max Rosemann já era um empresário bem-sucedido com suas joalherias quando decidiu seguir o caminho da política. Rebelde a seu modo, apesar de judeu nunca fez parte do grupo de Jaime Lerner e perfilou-se no PMDB, ao lado de Roberto Requião. Tem fama de obter recursos para os municípios onde os prefeitos compõem sua base de apoio, mas garante que ampliou muito esse trabalho de formiga e hoje presta atenção em tudo. ‘‘Estou alertando os deputados sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias, onde o governo Lula quer aprovar a proposta de remanejar 100% dos recursos do PAC sem ouvir o Congresso Nacional. É puro absolutismo’’, adverte.
  Eleito e reeleito tantas vezes, Rosemann já não precisa fazer firulas ou demonstrar simpatias para se manter onde está. Conduz seu mandato profissionalmente, sem as naturais artimanhas para ocupar espaços, esta velha e conhecida tática, parte inerente do exercício político. No fundo, no fundo, cumpre seu papel de representar os interesses de prefeitos e de regiões paranaenses em Brasília, sem grandes ilusões de mudar o mundo. Talvez seja isso mesmo que os eleitores querem de um deputado, quando depositam seu voto de confiança nas urnas.

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