DE NINHARIAS E O JOGO POLÍTICO
Dois temas que sempre vêm à tona em períodos eleitorais, e totalmente bestas, são estes que tratam de salários de políticos e mordomias pessoais de governantes. Lembram um pouco aquela história do presidente George Bush, pai, que eleito presidente dos Estados Unidos, recusou-se terminantemente a comer brócolis e a fingir que gostava da leguminosa. E a justificativa foi exemplar: ''ora, se eu nunca gostei de brócolis na vida, agora que sou presidente dos EUA, a nação mais poderosa da Terra, por que é que vou ter que comê-los?''
Tanto governantes como políticos, sejam eles deputados, senadores e o escambau, devem ter bons salários e, no caso de ocupantes de cargos executivos, verbas de representação. Um ministro tem que ir para um hotel de primeira linha quando está viajando e, se assim o desejar, beber bons vinhos, jantar bem e ir dormir sossegado. E, quem quiser pode pichar a opinião, mas um casaco de primeira linha, um terninho de marca e até um botox básico se justifica para uma primeira dama presidencial. Afinal, está ou não representando o País? Tudo deve ser pago com dinheiro público, sim. Vamos e venhamos, só porque o sujeito ganhou uma eleição em País pobre, ou foi nomeado secretário ou ministro, terá que dormir em pulgueiros espalhados por aí? Ou beber vinho de ''garafon''?
Por isso é que esta tal CPI dos Cartões Corporativos pode ter lá suas razões de existir (há informações que o objetivo é chegar na família Lula, com gastos até em material de construção), mas não empolga a massa. Até agora, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou R$ 8,00 por uma tapioca que não chega a R$ 1,20, mas pelamor de Deus, e se ele comprou meia dúzia, não é um crime tão bárbaro assim.
Os dados do Diário Oficial da União, divulgados com estardalhaço pela imprensa, dão conta que em 1993, as despesas do gabinete presidencial de Fernando Henrique Cardoso chegaram exatamente a R$ 38,4 milhões. Já em 2003, com Lula, as despesas pularam para R$ 318,6 milhões e em 2004, chegaram a R$ 372,8 milhões, ou R$ 1,5 milhões por dia útil de trabalho. Em termos comparativos no país da Bolsa-família, é muito dinheiro. E, como não se cansam de repetir os Tucanos, Lula gasta muito, mas muito mais, do que FHC, o que também é uma grande verdade.
Mas, já que estamos no terreno das comparações, por conta daquela tal ideologia econômica neo-liberal, FHC vendeu, em 8 anos, da Vale do Rio Doce (que se tornou a maior empresa de mineração do mundo) a estatais mil, de todos os setores, por bilhões de reais e nunca ninguém viu, e nem sabe, para onde foi tanto dinheiro.
Por tudo isso é que fazer dos Cartões Corporativos uma questão tão fundamental, com a Oposição se esgoelando para expor os gastos presidenciais, carece de empolgação popular. Vigiar gastos oficiais, sim, é dever do legislativo e divulgar, deixar tudo transparente, é função do executivo. E o jogo político é assim mesmo, com os de fora tentando entrar e os de dentro, querendo impedir. No mais é, como disse o senador Osmar Dias, na frase mais interessante da semana: ''conversa de bêbado com delegado''. Não dá em nada.

O futuro de Álvaro
Na parte que nos toca, a nós paranaenses, neste latifúndio brasiliense, está lá o senador Álvaro Dias, PSDB, que teve a sua semana de Estrela no Congresso. Mais de cinco minutos no Jornal Nacional de quarta-feira, e isso não é pra qualquer um. Bom para Álvaro que, apesar de ser hoje o tucano mais proeminente (eta palavrinha feia meu Deus do Céu) do Congresso, não abandona, nem por um segundo, a meta de voltar ao Palácio Iguaçu. No final de semana, se embrenhou por várias cidades do Paraná, participando até de batizado. Política, como sempre repetem os mais sábios, é a arte de ocupar espaços.

DESPESAS DO GABINETE PRESIDENCIAL *
1995 - FHC - R$38,4 milhões
2003 - Lula - R$318,6 milhões
2004 - Lula - R$372,8 milhões (R$ 1,5 milhões por dia útil de trabalho)

(Tudo bem!! O FHC não gastou tanto, em vista do Lula. Mas vendeu quase tudo do Brasil, e ninguem sabe onde tá o dinheiro)

[email protected]

mockup