O Ministério Público do Paraná teve que protocolar uma ação civil pública contra a contratação de parentes na Assembléia Legislativa do Paraná. Isso é uma vergonha!

O deputados resistem à ação do Ministério Público do Paraná e o próprio presidente da Assembléia, deputado Nelson Justus, tem a coragem de dizer publicamente que a Casa está de parabéns porque apenas cinco deputados (ele está no grupo) tem parentes contratados. Isso é mais do que uma vergonha. Sob o ponto de vista da ética na política ou do exemplo que o poder legislativo deve dar aos cidadãos que representa, é inqualificável!

Quando as pesquisas mostram que 69% dos paranaenses preferem cruzar com o capeta do que com um deputado, sempre vem um gaiato qualquer afirmar que expor a inutilidade do poder legislativo que aí está é pregar contra a democracia, a convivência e a vigilância entre os poderes, etc, etc. Ora, ora, quem está permanentemente boicotando as bases da democracia são lideranças barbadas e bem vividas que, viciadas nas benesses que o poder lhes confere, entortam de tal maneira a atividade para a qual foram eleitas que precisam ser acionadas, pela própria justiça, para se dar conta dos equívocos cometidos. E, pior, muito pior, têm a coragem de incidir no erro.

O exemplo não é dos melhores, porém didático, mas a prática do nepotismo dentro de uma Assembléia Legislativa é (ou deveria ser) atitude tão repudiada e tão combatida como infecção dentro dos hospitais. É o que contamina e põe em risco todo o resto. Quando o próprio presidente, Nelson Justus, emprega um sobrinho, perde qualquer condição de apontar o dedo para qualquer falha dos outros dois poderes, o Executivo e o Judiciário. E, perdendo a condição para criticar e cobrar dos seus pares, perde enfim, a própria função. Ou alguém imagina que Justus, com esse bicho nas costas, seria capaz de levantar um dedo contra a família Requião, inteira empregada no governo? Ou contra o troca-troca de parentes entre os gabinetes do nosso Tribunal de Justiça?

Eis aí, pronta e acabada, a aliança entre os três poderes que perdura há séculos e que, mesmo no terceiro milênio, continua a manter privilégios ilegais. Ou no bom e velho português, sem vergonha de apelar para a desfaçatez para desonrar nossas instituições. E só para registrar: além de Nelson Justus os nepotistas militantes são Luiz Claúdio Romanelli (PMDB), Nereu Moura (PMDB), Felipe Lucas (PPS) e Fernando Ribas Carli (PSB).

No limite do medo
Diante dos assaltos seguidos de assassinatos nas últimas semanas em Curitiba, o delegado de Furtos e Roubos, Rubens Recalcatti, fez um alerta à população para não reagir, em hipótese nenhuma, à qualquer assalto. Concluiu o delegado que está aumentando a violência neste tipo de crime, onde o bandido, geralmente jovem e drogado, vai para o tudo ou nada.

Como uma resposta à altura da advertência, 22 taxistas curitibanos são acusados de linchar um assaltante no bairro Sítio Cercado, nesta semana. O clima na Capital é de medo e revolta e não há, a curto ou médio prazo, qualquer sinal de mudança. As reações da pró-reitora da UFPR, Maria Benigna, que não quis entregar a bolsa com R$ 4 mil a um guri armado, e morreu com um tiro no abdômen na semana retrasada, ou dos taxistas que lincharam o rapaz nesta semana, obedecem apenas ao instinto de quem está sozinho na selva: a sobrevivência.

Governo, oposição e a imprensa se degladiam sobre números de assassinatos e índices de violência no Paraná, se aumentaram ou diminuíram nos últimos anos. Nestas alturas, 2% a mais ou a menos no número de homicídios não quer dizer nada. Para quem está no meio do tiroteio, o mais importante é encontrar a saída. E esta, minha gente, ninguém, nem governo, nem oposição e muito menos a imprensa, sabe onde fica.

mockup