RUTH BOLOGNESE
O PMDB e o PT e outros partidos menos votados, como o PDT e o PP, se debatem em Curitiba para encontrar um jeito de não passar muita vergonha em outubro, nas eleições municipais. Até briga entre eles já houve, o que vem comprovar que em casa que falta voto...
Tanto stress se deve ao fato incontestável que o prefeito Beto Richa segue tranqüilo para reeleição, com aprovação popular pra lá de Marraquech na terra que já foi de Jaime Lerner e Robert Requião, ícones do urbanismo moderno (o primeiro) e da ação política que consiste em minimizar adversários no grito, (o segundo). Ou mesmo do gerencimento nipônico de Cássio Taniguchi que, se não era lá estas coisas em termos de carisma, sempre ostentou o selo do ITA para mostrar competência.
Enfim, todos homens acima do comum dos mortais que souberam, de um jeito ou de outro, manter aceso o mito curitibano de cidade do III Milênio num Brasil onde tráfego lento, ônibus lotados e inundações de verão compõem o dia-a-dia urbano.
E eis que, por circunstâncias partidárias e, também, algumas manobras de gabinete de vice-prefeito que não passariam em qualquer teste furreba de ética política, o jovem, belo e rico Beto Richa elegeu-se prefeito de Curitiba. Na bagagem uma passagem pela Assembléia Legislativa do Paraná onde foi deputado assim, assim, meio mediano e onde deixou um armário com mais fantasmas por metro quadrado do que no Castelo de Glascow. E, lógico, com o sobrenome de marca do pai, José, o mais democrático dos governadores que este Paraná já viu.
Pouco, muito pouco, convenhamos, para se colocar à altura dos sucessores e do desafio de comandar uma cidade exigente, de uma classe média meio metida à besta, e mais, tendo como adversário político no vizinho Palácio Iguaçu, o ultra-provocador, o homem das mil e uma denúncias, Roberto Requião.
Do kart para a periferia
Neste campo minado, o primeiro acerto do engenheiro corredor de kart, Beto Richa, foi não cometer o primeiro erro que os muito vaidosos não se cansam de reprisar: superar rapidamente o antecessor e impor a própria marca. O ansioso Rafael Grecca, eleito prefeito pegando na mão de Lerner, enveredou por este caminho e hoje tem que se conformar com o que sobra do outrora arquiinimigo grupo peemedebista no poder estadual.
Richa entrou quietinho na prefeitura, não mexeu uma palha para mudar os projetos de Cássio Taniguchi e hoje colhe os frutos maduros e doces que o apoio popular costuma guardar para quem não decepciona quando chega lá.
Para administrar as áreas mais espinhosas, o jovem prefeito aderiu à filosofia bate pronto do gestor americano: colocou homens e mulheres certos nos lugares certos. Luciano Ducci na Saúde, Luiz Eduardo Sebastianni na Fazenda e Wilson Justus na Obras, mulheres certas como Eleonora Fruet na Educação e a própria mulher, Fernanda, pra cuidar do Social e mais não se incomodou.
Tudo anda tão direitinho que, nesta semana, ao lançar o candidato do PMDB à prefeitura, o reitor da UFPR, Carlos Moreira, que ninguém conhece, ninguém viu, Roberto Requião teve que apelar para a velha fórmula do bordão mais cansado do que pangaré de bêbado, o vamos melhorar esta cidade, mesmo apelo que será feito pela pré-candidata do PT, Gleisi Hoffmann. Chinfrin, chinfrin.
Neste mundo feliz, Beto Richa percorre bairros e praças fazendo o papel do prefeito ágil, competente e realizador. E, assim, como na história da Moura Torta que dizia vivo bem, como bem, passo a vida regalada, como no mundo ninguém, o filho do meio do José Richa deixa no ar uma lição: ninguém precisa ser gênio, nem muito inteligente, nem muito preparado e nem carismático demais para governar uma cidade de quase 2 milhões de habitantes. Nem sequer precisa tomar altas decisões. Bem cercado, e com um pouquinho de jogo de cintura, qualquer um faz sucesso. O que é muictho bom para a cidade e para o governo do povo pelo povo.





