RUTH BOLOGNESE
Na escola, sem limites
Duas escolas paranaenses, uma pública e outra particular, foram notícia nesta última semana na Capital porque comprovaram, na prática, o que professores e educadores já detectaram pela convivência: a indisciplina de crianças e adolescentes da classe média urbana saiu de casa e se abancou no pátio e na sala de aula e começa a se espalhar para as ruas, sem controle e pronta pra descambar em violência.
O Colégio Destaque, de São José dos Pinhais, na região metropolitana, da rede particular, destinado a abrigar alunos dessa mesma classe média, onde pais e mães ralam muito pra pagar as mensalidades, forneceu um vasto material para que se reflita sobre a situação. Um menino de 9 anos foi expulso da escola porque vinha, há meses, brigando com colegas e professores, importunando aulas e detonando no recreio. Diante da decisão do colégio, a família procurou a justiça e obteve liminar para manter a criança frequentando as aulas. Mais, a própria mãe, de liminar em punho, chamou a imprensa para fotografar o filho antes de entrar pelo portão da escola sob a proteção judicial.
Para quem vem de uma geração onde a expulsão do filho de uma escola era um fato raro, chocante para toda a comunidade e envergonhava a família até o ponto de provocar a mudança da cidade, garantir o retorno via justiça é totalmente fora de ordem. A expulsão lá em Terra Boa (apenas um caso em toda a minha vida escolar) atingiu apenas aquele guri mais encapetado, revoltado, que batia até na mãe. Um caso perdido e que mereceu frase lapidar da Vó Maria, ressoando até hoje nos ouvidos como previsão sinistra e definitiva: ''se a família e a escola não ensinaram, a vida vai se encarregar disso''.
Do protesto coletivo
O caso do maior colégio público do Estado, o Colégio Estadual do Paraná, CEP, vai na mesma direção, mas sob outro ângulo. Com a melhor estrutura de laboratórios e equipamentos, e professores com maior titularidade de toda a rede pública do Paraná, o CEP foi palco de um protesto coletivo, que tomou conta de alunos e professores depois que a diretora, Maria Madselva, pedagoga formada pela Universidade Federal, de respeitada carreira acadêmica,permitiu a entrada da PM para enquadrar um adolescente que não era aluno do Colégio mas estava no pátio, de uniforme, e armado.
Foi o estopim que deflagrou um movimento que agora tem até pauta de reivindicações, a começar por eleições diretas do diretor e mais 20 itens e já provocou explosões de bombas nos banheiros que ressoram por toda a área do Passeio Público. Os alunos são apoiados pela maioria dos professores, e pelos próprios pais, insatisfeitos com a gestão da diretora Madselva.
Um ponto em comum
O que une o Colégio Destaque, de São José dos Pinhais, onde a família buscou a Justiça para manter o aluno expulso na sala de aula, ao Colégio Estadual do Paraná, onde pais e professores se juntam aos alunos para afastar a diretora, é a eterna questão da disciplina. Aquele fio da navalha que separa o limite necessário para que o coletivo seja respeitado do abuso do poder.
A família de São José dos Pinhais pode ter negado ao filho infrator a última lição de disciplina e de respeito aos direitos dos outros antes das chapuletadas da vida, como diria a Vó Maria. Pais e professores do CEP, e aqui não se trata de debater questões internas de gestão, podem estar se aliando a alunos que soltam bombas em banheiro só pelo prazer de tumultuar.
Por questões de Regimento Interno, dois colégios públicos do Paraná tem seus diretores indicados pela secretaria de Educação e nomeados pelo Governo: o Colégio Estadual (CEP) e o Colégio da Policia Militar. Nos últimos anos, o Colégio da Polícia Militar vem superando o CEP em todas as provas nacionais e estaduais de qualidade do ensino, e isso sem contar com a mesma estrutura de ensino, de equipamentos e de titularidade dos mestres.
É ou não é um dado a considerar?
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