Não se trata aqui de dar conselhos a 34 homens barbados e bem vividos nas artes da política. É apenas uma observação cidadã que se baseia num fato incontestável: desde que o governo Requião se instalou no Palácio Iguaçu, há quase 6 anos, descontando aí umas investigaçõezinhas sem importância e que não levaram a nada, a oposição na Assembléia Legislativa jamais conseguiu aprovar nenhuma CPI digna deste nome, nenhum projeto com um mínimo de importância que fosse contrário ao pensamento oficial.
  Já está cansando por demais os paranaenses esta lenga-lenga de todos os dias na Casa do Povo. Uma hora são os gastos excessivos dos funcionários graduados, outra hora é o dinheiro rolando para as ONGs, uma terceira, as denúncias de corrupção no Porto ou o uso político-partidário da TV Educativa. E mesmo com o apoio da ex-mídia fiel ao Governo, que mancheteia qualquer suspiro do deputado Valdir Rossoni, o grande Líder do PSDB, nada caminha. A grande maioria de deputados que passa o dia cantando, a lá Zezé di Camargo e Luciano, ‘‘sou tão dependente de você, vem cá meu Pão de Mel’’ para o Palácio Iguaçu, garante, de antemão, um sono tranqüilo ao Governo hoje até o fim dos tempos.
  Então, dentro da linha de só fazer uma observação, sem dar conselho direto, não seria assim mais produtivo se nossos deputados se debruçassem em assuntos mais tangentes, ligados ao dia a dia dos paranaenses e debatessem para encontrar saídas para combater o Aédes egypts, a distribuição de medicamentos, a lei dos transplantes de órgãos e outros milhares de problemas que, se tivessem um mínimo de atenção, poderiam ser solucionados? Não vale mais gastar neurônios e tempo para ver o que acontece com este número absurdo de mortes por arma de fogo no Estado, o papel das empresas de segurança? Ou ficar fazendo piadas sobre o último mico do Palácio Iguaçu? Até porque, no Palácio Iguaçu, minha gente, tem mais mico do que na Serra do Mar inteirinha.
Ingenuidade
  Estas ‘‘observações cidadãs’’ podem ser de uma ingenuidade total para quem acompanha de perto a ação política, em todos os seus meandros. São até meio bestas para quem vive em contato com o fervilhante jogo de interesses pessoais que compõem os bastidores de uma Assembléia Legislativa, ou de uma Câmara Municipal e mesmo de um Governo, Mas, às vezes, é preciso olhar através dos olhos da grande maioria dos espantados, daqueles que tocam a vida trabalhando e pagando seus impostos, para enxergar, de fato, a insignificância, pra não dizer, a inutilidade, dos assuntos sobre os quais deputados e vereadores desperdiçam o próprio tempo. E neste cenário de bobagens, joga-se no lixo das preocupações sem sentido o talento, que muitos têm, a dedicação ao trabalho, a sabedoria, a experiência... e, lógico, nosso sofrido dinheirinho dos impostos.
  Talvez seja esta a arte da política, a de debater o que não presta para acertar no que é importante. Nesta semana, pela primeira vez no ano, a Assembléia atuou na questão entre o governo do Paraná e o Ministério Público, e bateu o martelo na questão do percentual do orçamento que o governador Requião estava ridicando ao MP. Muito mais pressionada por liminar do Tribunal de Justiça, que paralisou o debate sobre o orçamento do ano que vem, do que como intermediária da pelenga. É inegável, portanto, que a Assembléia Legislativa anda muito aquém dos problemas enfrentados pelos 10 milhões de paranaenses que habitam estas fronteiras de climas diversos e problemas mais ainda. Querem prova disso? Basta observar com atenção todos os petardos lançados de dentro do plenário da Casa do Povo contra o Palácio Iguaçu só neste Governo e verificar os resultados: da prática do nepotismo e os Requiões no Governo, aos gastos com publicidade, passando pelo porto de Paranaguá e a administração Eduardo Requião, as denúncias de corrupção na Ceasa, superfaturamento das TVs laranjas até a contratação de centenas de novos funcionários para cargos em comissão, não se obteve um resultado prático sequer. Os deputados podem até se esgoelar em plenário, mas o governo segue sua rota, impávido. Até o abismo, se assim o quiser.

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