Luz vermelha na PUC-PR
  Historicamente, a qualidade da nossa educação, como de resto em todas as regiões brasileiras, deve quase tudo às instituições privadas, mais especificamente, às ordens religiosas, que enfrentaram paus e pedras para formar gerações e gerações de brasileiros e construir pequenos impérios educacionais por todo o País.
  Aqui no Paraná mais ainda, conseqüência da imigração diversificada. Desde a pequena e eterna referência pessoal, Terra Boa, onde as irmãs vicentinas instalaram, no início da década de 60, o Educandário São José, e acolheram três descendentes de italianos branquinhos, magrinhos e assustados, eu entre dois irmãos mais novos, até os grandes colégios dos Irmãos Maristas, nas cidades maiores, é difícil encontrar uma região paranaense que não tenha passado por essa influência.
  Por essas raízes, aprendemos a creditar às instituições católicas uma confiança quase absoluta, quando se trata de qualidade na educação. E, nesse quadro, quem sempre liderou no Paraná foi a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a PUC-PR, primeira universidade marista do mundo, exemplo bem acabado do sucesso que chega aos 50 anos, em 2008, com sete cursos de doutorado, entre eles Medicina, campi espalhados por várias regiões do Paraná e pesquisas de ponta em áreas tão complexas como células-tronco.
  Por tudo isso, o resultado do exame do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) do MEC, que colocou o curso de Direito da PUC entre os 9 piores do Paraná, surpreendeu tanto e acendeu, ou deveria ter acendido, uma luz vermelha no imenso complexo da instituição. O atual reitor, Irmão Clemente Juliatto, um religioso com vocação e alma de empreendedor, fez investimentos em várias áreas e expandiu os campi para o Norte (Londrina) e Oeste (Toledo). Nessa semana, o próprio Irmão Clemente revelou a um amigo que a nota baixa do Enade não preocupa uma Universidade da dimensão da PUC. Está confiante na missão que enviou a Brasília, para mostrar aos técnicos oficiais que não é bem assim, e que o curso de Direito da PUC conta com o selo de qualidade dos bacharéis aprovados nos exames da OAB-PR.
  Pode ser que Irmão Clemente, com a formação pedagógica de altíssimo nível que exibe, tenha razão e o exame de desempenho de um grupo de bacharéis não arranhe mesmo a história da segunda maior instituição educacional do Paraná. E pode ser que o próprio MEC tenha cometido um grande equívoco ao incluir o curso de Direito entre um grupo de 9 enjeitados locais.
O que se revela
  Mas tais justificativas não escondem o fato, incontestável, que a PUC-PR vem dando sinais, nos últimos anos, de ter feito a opção preferencial pelo pragmatismo, diante da força cada vez maior da concorrência, como o grupo Positivo, com sede em Curitiba, por exemplo. Começou com um programa de demissão voluntária que, se de um lado, enxugou despesas, dispensou parte significativa da matéria-prima básica com que trabalha uma instituição de ensino, os mestres mais antigos. Na própria expansão, como a compra de áreas urbanas para a construção dos campi no Interior, teve alguns dissabores que acabaram em prejuízos.
  A importância da PUC na nossa comunidade escolar, e o patrimônio que representa em termos de reserva de conhecimento no Paraná, exige dos atuais dirigentes uma resposta mais firme, condizente e irreparável diante dos números do MEC, que apontaram queda da qualidade do ensino, a essência a conduzir todo o resto em qualquer escola. Afinal, se o MEC errou, a irresponsabilidade é oficial, é verdade. Mas a irresponsabilidade oficial também deve ser tomada como um sinal de alerta para a PUC-PR. Até porque a irresponsabilidade é prima da falta de respeito, que é parente próxima do descrédito.
Uma semana em descanso
  Para os amigos, parentes, leitores, fontes, inimigos e críticos desta coluna, uma semana de alívio. Esta brava jornalista se retira em silêncio obsequioso para recolocar os neurônios no lugar.
  Até lá.

mockup