Ao acusador, a credibilidade

Acossado pelos boatos de revelações bombásticas sobre os eternos sinais exteriores de riqueza que, em qualquer circunstância, denunciam o enriquecimento rápido e mal explicado, um assessor graduado do prefeito Beto Richa apontou o dedo para o autor presumido e acusou: ''é um canalha''.

Depois de receber em mãos um caudaloso documento com denúncias e irregularidades mil no Porto de Paranaguá, mais conhecidas e manjadas do que a Bebel no calçadão, o governador Roberto Requião demitiu na lata o mensageiro e autor, engenheiro Leopoldo Campos, e mais não disse nem explicou, sobre as razões para medida tão drástica.

Tudo aconteceu nesta semana e confirma, mais uma vez, que a primeira atitude de quem se vê à mercê de denúncias e falcatruas, é acabar com a ''catiguria'', como diria a já citada ''profissa'' Bebel, do acusador. Atitude mais velha do que andar pra frente. Professor René Dotti, calejado nas manhas jurídicas habituais daqueles que, à primeira alfinetada da imprensa, atacam o mensageiro para embaralhar a mensagem, se atém no foco principal, a defesa da liberdade da expressão, e o resto é o resto.

Por interesse
A não ser em casos excepcionais, denúncias de enriquecimento ilícito contra ex-sócios, ex-amigos ou ex-adversários políticos são sempre feitas por portadores de pequenos desvios de caráter. Como diz o mestre Millor, ''negociata é um bom negócio em que nós ficamos de fora''. E nem vamos entrar aqui naquele terreno pantanoso em que se move uma ex-mulher, namorada ou amante repudiada, porque aí já é apelação.

Mas nenhuma condição pode ser evocada para reduzir a importância (e a credibilidade) daquilo que é o verdadeiro foco da questão: a denúncia, pura e simples. Se o sujeito, que ameaça trazer à tona escandalosos dados sobre os novos ricos da prefeitura da Curitiba, é reconhecidamente ''um canalha'', o exercício da cidadania recomenda que se deve dar-lhe ouvidos. Se um engenheiro coloca nas mãos do Governador um caudaloso documento sobre irregularidades no porto de Paranaguá com segundas, terceiras ou quartas intenções, a última coisa a fazer é exonerá-lo do cargo.

Ao longo de tantos anos exercendo este ofício diário de coletar informações em todas as áreas e de todas as origens, onde a grande ''fonte'' de hoje pode ser o denunciado de amanhã, ainda não consegui aprender a separar, sem margem de erro, o joio do trigo. Há sempre um risco a correr e caminha-se num fio de navalha entre o certo, o incontestável, e a grande ''barriga'', o mico de se divulgar uma mentira, porta indesejável para o purgatório da retratação no dia seguinte.

Mas, e aí está a melhor parte do que me cabe, ao longo de tantos anos na lida, jamais, repito, jamais, a fumaça veio sozinha. Um zunzum não surge do nada, por mais murmurado que seja. Pode ser difícil de comprovar, até mesmo impossível, pode passar um tempo quase infinito até que venha à tona e pode ter origem ilícita ou desconhecida ou, ainda, que nunca se chegue aos finalmentes, mas quando um boato se firma na praça, aí tem. Quando se transforma em documentos xerocados, então, meu Deus do Céu, há que se fazer um esforço federal para se fingir de morto. E exonerar o portador do xerox, minha gente, é confessar cumplicidade.

A história que arrepia
A perícia realizada na fita em que a grávida, Patrícia Cabral da Silva, fornece indícios de que seria cúmplice do assaltante que a feriu com um tiro, mostrou que não houve montagem na gravação. Agora o Instituto de Criminalística do Paraná vai enviar o material para a Polícia Federal em Brasília, onde será feita análise das vozes.

Patrícia estava grávida de 5 meses e trabalhava na lanchonete de um posto de gasolina em Curitiba quando o local foi assaltado. Já com o dinheiro na mão, o assaltante voltou e atirou nela. A bala passou milímetros do feto. Patrícia foi operada e deu à luz a uma menina, Angelina. Depois do nascimento é que o assaltante contou que a própria Patrícia participou do assalto e pediu que fosse atingida por um tiro.

Cada vez mais, é uma história de arrepiar.


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