RUTH BOLOGNESE
Que falta uma oposição faz
Até os mais próximos já começam a duvidar que Roberto Requião conclua, com um mínimo de eficiência, o terceiro mandato como governador do Paraná. Economistas independentes calculam que, para recuperar os estragos feitos pelo atual Governo na economia, serão necessários de 15 a 20 anos. A gestão começou mal e, de lá pra cá, só faz piorar. Do Roberto Requião, político audacioso, que realizou uma carreira vitoriosa, onde obteve a inédita terceira chance no comando do Estado, resta uma caricatura recalcada e vingativa, que se volta contra inimigos tão antigos quanto esquecidos da nossa memória eleitoral.
Do administrador competente, rigoroso na condução do equilíbrio financeiro das contas públicas desde a primeira gestão como executivo na prefeitura da Capital, sobrou um confuso manipulador de dados, que ora aponta sobra no caixa do Governo, ora fantasia com promessas de perdão de dívidas pelo governo mais ou menos aliado de Brasília.
E, por usar e abusar de uma qualidade rara na política das araucárias, o destemor pessoal, para denunciar falcatruas e roubalheiras dos adversários, o governador Requião banalizou a última bala na agulha. Toda vez que aponta o dedo para mais um ''escandaloso caso de desvio de dinheiro público da turma de Jaime Lerner'', perde o restinho que sobra da credibilidade já em frangalhos.
São duas as consequências graves deste comportamento patético: primeiro, que na grande maioria das vezes, Requião tem razão na denúncia, mas ela se perde na repetição pavloviana. Segundo, que ao apontar a sujeira no quintal do vizinho, embaralha a aguçada visão com que sempre manteve subalternos na rédea curta e os deixa a vontade para toda e qualquer ação em prol do interesse pessoal e imediato. Tal descuido está se mostrando perigosamente letal num mar de altos e baixos servidores comissionados. Todos sabem que a mamata vai acabar daqui há quatro anos.
À espreita
Diante de um governante tão a perigo e de uma equipe paralisada pela perplexidade e pela ausência de rumos, já se pode detectar, aqui e ali, interesseiros à espreita, para dar o bote na primeira inconstitucionalidade palaciana e partir para um impeachment qualquer da vida. É da natureza política a vocação golpista. Seria um alívio, já se apressam a comemorar os mais afoitos. Não seria. Qualquer rompimento no andar da carruagem institucional tem preço alto e traumático.
O que faz falta, hoje no Paraná, é uma oposição compacta, definida, que passe realmente a exigir do governo estadual, e do seu maior líder, um mínimo de governabilidade, a preocupação mais básica com as questões urgentes do Paraná.
E isso vai desde a eficiência da operação portuária (olha o custo Paraná, aí), até a simples distribuição de kits para o combate à dengue. Ou de medicamentos para o mal de Parkinson. Ou, ainda, os baixos índices do ensino, abaixo da média nacional, revelados nesta semana pelo Ministério da Educação.
Sem repercussão
Mas a oposição que o Paraná precisa, neste momento, vai muito além das pífias tentativas do prefeito Beto Richa em se tornar o anti-Requião. Ele já ofereceu recursos da prefeitura para pagar os medicamentos para controle do mal de Parkinson em atraso, depois que velhinhos tremulantes fizeram uma passeata inédita de protesto em Curitiba. Pura demagogia para guardar para a campanha ao governo em 2010.
Também a gritaria que o líder do PSDB, Valdir Rossoni, realiza na Assembléia Legislativa, todos os dias, com a fúria dos que vêm da região de fronteira entre o Paraná e Santa Catarina, não tem efeito algum. Está no papel dele e todo mundo sabe disso.
O que se faz mais do que necessário hoje no Paraná, é a união de forças da oposição, que começa nos irmãos senadores, Osmar e Álvaro Dias, passa pela bancada de deputados na Câmara Federal, afirma-se na Assembléia Legislativa, alcança prefeitos vereadores e se completa com os líderes empresariais do Estado.
O objetivo comum é garantir o que não tem mais jeito de dissimular: o Paraná precisa ser governado nos próximos 4 anos. E o atual governo tem que corresponder aos 50% mais 10 mil eleitores paranaenses que o colocaram no Palácio Iguaçu só pra isso. Simples assim.
Falar é fácil, lógico. Mas enquanto ficar todo mundo fazendo ''ooooh!'' diante a última nervosia do governador Requião na Escolinha das terças-feiras, o Brasil segue seu rumo. E o Paraná vai ficando pra trás.





