Mentiras de Abril

Todo mundo mente um pouquinho, dizem as pesquisas sobre comportamento humano (os animais, por mais puros, não têm o dom de iludir), e as mentiras até são necessárias para manter o equilíbrio das relações diárias. ''Eu nem notei a bunda da vizinha, benhê'', diz o marido culpado diante da cara feia da patroa. Ela finge que acredita e vamos em frente que atrás vem gente.

O que é mais grave no terreno das enganações em geral é a mentira oficial, governamental, que não tem qualquer outro objetivo a não ser o de ludibriar a opinião pública com falsos números e falsos projetos. Está cheio disso no Brasil. E, mais particularmente no Paraná, onde nesta semana duas grandes mentiras foram desmascaradas em questão de horas, envolvendo de uma vez só, o governo do Estado e a prefeitura da Capital.

Primeiro, há cerca de duas semanas mais ou menos, o governador Roberto Requião anunciou que o governo Lula ia devolver aos cofres do tesouro estadual, de uma bolada só, R$ 100 milhões. Tudo por conta de uma cobrança de multa sobre não pagamento de títulos de precatórios, decorrente do mau negócio feito por Jaime Lerner, na venda do Banestado para o Itaú. E tinha mais ainda: a partir daquele momento, os R$ 10 milhões mensais da tal multa não seriam mais descontados. Boa notícia para o povo do Paraná? Melhor impossible. O tempo passou e eis que nesta semana, os R$ 10 milhões foram descontados integralmente da conta do Paraná. E do retorno dos R$ 100 milhões, nem sinal. Saia justa total para o Governo, que fez o próprio governador ir até Brasília para tratar a questão direto com Lula. Até ontem o assunto permanecia em suspenso.


A maior mentira

Mas pior, muito pior, ficou a Prefeitura de Curitiba, que atropelou todo e qualquer bom senso para alardear, em nome do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a construção do metrô em Curitiba. No açodamento do período pré-reeleição, o prefeito Beto Richa se apresenta como o maior fazedor de obras do universo, alardeia a construção de novas ruas, novas praças, novos centros de saúde, novas escolas, a Linha Verde, o metrô...êêêêpa! ''Parado aí'', diz o ministro Paulo Bernardo, ''menos, Beto Richa, menos!'' O ministro, como se sabe, é o marido de Gleisi Hoffmann, que pretende se candidatar a prefeita de Curitiba na próxima rodada eleitoral pelo PT, contra Beto Richa evidentemente. Convenhamos, em política, não se põe azeitona na empada alheia, etc, etc, etc E, de mais a mais, esta história do metrô de Curitiba é tão antiga quanto pomada Minâncora, e com menor efeito na pele dos curitibanos. Só que, historicamente, em três circunstâncias, a construção do metrô vira manchete de jornal: quando o prefeito de plantão está sem assunto, quando se aproxima o período eleitoral e quando a banda oficial encontra um jornal disposto a embarcar na pataquada. Ou por tudo isso junto. Foi o que se viu.


De butuca

A semana terminou com um pedido de desculpas aos leitores pelo jornal diário de Curitiba que investiu na fantasia do prefeito Beto Richa e ajudou a espalhar a bobagem do metrô. Nada mais sensato. O pessoal da prefeitura esmerou-se em jogar a trapalhada toda para a imprensa e perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto e sair de fianco. E o ministro Paulo Bernardo vai chegar amanhã na Capital respirando aliviado por não ter que levar mais esta lambança nas costas.

No fundo, no fundo, esta papagaiada toda, tanto do governo do Estado contando com o ovo no fiofó da galinha sobre o perdão da multa do Itaú por parte do Banestado, como da prefeitura tentando colocar o Beto Richa como o maior construtor do Sul do Mundo, é a ânsia dos políticos na eterna busca por espaço. Às vezes eles se dão bem, outras são pegos na mentira. A nós, cidadãos, eleitores, cabe aproveitar o momento e rir um pouco das palhaçadas.

Vez da caça, minha gente! Coisa rara.

P.S - Outra grande lorota da semana foi o governo do Estado se mobilizar para que Curitiba fosse incluída na Copa de 2014 e até prometer a construção de um novo grande estádio.

Mas aí todo mundo já sabe que é pura bobagem. Tão ridícula quanto inofensiva.


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