O CUSTO JANENE
  Se, como todos os indícios apontam, o ex-deputado federal, José Janene, era o homem da mala do mensalão, distribuidor oficial de milhões de reais despejados pelo governo do PT para garantir a boa vontade dos pares dele na Câmara Federal, arcar com R$ 12.847,00 para mantê-lo em casa, é fichinha para a sociedade. Tira-se, portanto, o sofá da sala e o pecado original, pelo menos temporariamente, muda de lugar.
  Não causou grande comoção no Paraná, nesta semana, a aposentadoria concedida ao ‘‘Homem do Mensalão’’ porque foi amaciada por outros tantos nomes perdoados, até reeleitos, e já era um benefício pra lá de anunciado. Ora, depois de tantas borrachas passadas por cima, por que logo Janene, um homem auto-apresentado com um coração frágil, à beira da morte desde o início dos escândalos brasilienses, logo ele, deveria ser punido? Coração brasileiro, minha Gente, passional a ponto de acreditar que Collor, Maluf e afins merecem cadeira no Congresso Nacional. Daí a dar de ombros e deixar pra lá a aposentadoria de Janene, é só questão de tempo, tempinho mesmo.
  Há outro consolo: se eleito, como o foram outros envolvidos no mesmo pacotão de escândalos, ladino como é, um Janene refortalecido pelo voto popular, poderia ampliar muito mais a base de sua ação no Congresso e, pronto, eis um duto de desvio de dinheiro público infinito e incalculável.
  No mesmo caminho, mas em direção oposta, tirar do nosso bolso R$ 13 mil para rechear a conta-aposentadoria do deputado é nada perto do custo real que a sociedade está pagando, todos os dias, pelo conluio da própria Câmara dos Deputados em torno da auto-preservação a qualquer custo. É sempre bom lembrar que o deputado Janene salvou-se, e ainda foi premiado, muito mais pelo que poderia revelar do passado recente do que por um gesto de caridade dos seus colegas de mandato.
  E, finalmente, o que são quase R$ 13 mil perto do custo da impunidade e seus reflexos que estamos pagando em termos de aumento da violência, do desrespeito à ética, de descrédito à classe política, de desamor ao País que um perdão destes, tão vergonhoso, nos lega, a todos?
  Na contradição do óbvio, ainda temos que pagar pra Janene desfrutar de tão boa aposentadoria e achar que estamos no lucro. Duro de engolir.

Entre Al Gore e a Amazônia
  Para participar da Campanha da Fraternidade, que este ano tem como tema a defesa da Amazônia, a PUC-PR trás a Curitiba, e deve levar também para outras cidades, o teólogo e escritor Evaristo Eduardo de Miranda, um dos mais respeitados ambientalistas do Brasil. Ele virá para lançar seu livro ‘‘Quando o Amazonas corria para o Pacífico’’, da editora Vozes, no próximo dia 7 de março, no auditório do Tuca, em Curitiba.
  O livro é um histórico detalhado do maior rio do mundo, que remonta a milhares e milhares de anos, e documenta fauna e flora de toda a região. Miranda, que tem ligação com o Paraná através do Instituto Ciência e Fé, do qual é diretor, trabalha atualmente como consultor da Embrapa na área de controle ambiental por satélite. Nesta função, conheceu o ex-vice-presidente Al Gore e por ele foi levado ao congresso norte americano para falar sobre a Amazônia. Gore, como se sabe, foi um dos primeiros políticos do mundo a bater na tecla do aquecimento global.

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