RUTH BOLOGNESE
DA LIMONADA, O LIMÃO
E sem querer, querendo, o recém ex-presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, encerrou sua longa carreira na Casa, com centenas de projetos aprovados, grandes articulações partidárias e três presidências, mais como representante do baixo clero político (onde se dão as pequenas trocas de favores) do que como um deputado que fez história no Paraná.
Como diria aquele médico japonês ligadão em auto-ajuda, o Shinyashiki, que minha mãe chama de Sukiaki, a vida é feita de opções. Hermas Brandão teve em 2007 um ano magnífico em se tratando de sucesso político: contra o PSDB quase inteiro aproximou-se do governo Requião, manteve a estrela maior do partido, Beto Richa, sob controle no primeiro turno, ganhou a eleição para o governo no segundo turno e só não levou o cargo de vice-governador por decisão da cúpula tucana. Saiu tão prestigiado da eleição que recebeu (e recusou) a presidência da jóia da coroa, maior empresa paranaense, a Copel. Nas artimanhas internas da Assembléia, Hermas Brandão entregou a presidência da Casa para um sucessor natural, o deputado Nelson Justus, o que não demandou maior esforço. Para quem, a vida toda, se movimentou no privilegiado espaço do Centro Cívico, a sede do poder paranaense, melhor do que isso só dois issos.
Hermas Brandão está bem de vida, é pecuarista, dono de cartório, tem os filhos já criados e bem colocados. É fiel às origens de Andirá, Norte do Estado, tanto no jeitão meio estúpido de ser, como no sotaque, o que lhe confere tom certo da autencidade. Aos 63 anos tinha tudo para começar uma nova fase de vida, fora do combate político direto, dispensado dos jogos cansativos do cotidiano paroquial, mas ainda com fogo suficiente para mudar o rumo das coisas.
Mas para alcançar este Olimpo, onde pouquíssimos nomes figuram, talvez um ou dois atualmente, além de Jaime Canet, Euclides Scalco e João Elísio Ferraz de Campos, há que se exibir, além de um passado de cargos importantes e batalhas memoráveis, um quê de grandeza e desprendimento. Grandeza para entender as ambições desmedidas dos mais novos por espaços políticos. E desprendimento para perdoar as rasteiras de adversários e até dos mais próximos, atitudes inerentes ao ofício parlamentar.
Mas foi justamente aí, no momento crucial de acrescentar ao seu patrimônio político os dois elementos fundamentais para subir de patamar que Hermas Brandão escorregou. Ao se engalfinhar com gregos e troianos para apressar a mudança do cartório de Andirá para Curitiba, misturar tudo com a indicação para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas, o ex-presidente da AL se apequenou. Por si só, cartórios e vaga de conselheiro no Tribunal de Contas já carregam o estigma dos prêmios por bons serviços prestados a governos de plantão e nem deveriam ser trazidos à tona pelos aquinhoados. Brigar publicamente para valorizar o favorecimento explícito só piora a situação.
E foi isso que se viu no finalzinho da terceira gestão à frente da Casa mais importante do Paraná: um presidente diminuindo gradativamente de tamanho na mesma medida em que não hesitava em utilizar expedientes do baixo clero para obter a última vantagem. A ausência na transmissão de posse na quinta-feira só foi a gota dágua que, num golpe só, retirou de Hermas Brandão a condição de político estadual, posto tão duramente conquistado nas últimas três décadas, e o recolocou na dimensão da pequena Andirá.
Por pura opção pessoal.
Do limão, a limonada
E se estamos falando de paranaenses e de alargar fronteiras políticas, o deputado Gustavo Fruet saiu da disputa pela presidência da Câmara muito maior do que entrou. Foi a melhor notícia do começo do ano, com reflexos a longo e médio prazo. Se disputar o Senado, Fruet nem precisa se esforçar muito para mudar de Casa em Brasília. Se decidir concorrer à prefeitura, é nome pra ninguém botar defeito.
Hoje, é a grande estrela da política do Paraná e, na Câmara Federal, como diz o ministro Ciro Gomes, é respeitadíssimo. A partir de agora só precisa fermentar, com coerência, o patrimônio já existente.
O que, convenhamos, para um deputado hoje, no Brasil, é mais do que suficiente.





