E os projetos? Onde estão os projetos?
  Este negócio de reeleição é muito parecido com re-casamento: depois do pequeno período da emoção do retorno, onde os cônjuges se esforçam para lembrar um ao outro as próprias qualidades esquecidas, tudo retorna à monotonia de antigamente. Foi o que se viu aqui no Paraná, e, agora, há menos de dois meses da tri-posse do governador Roberto Requião, nem a formação do novo secretariado, normalmente uma briga de foice no escuro entre os grupos de interesses, chama a atenção ou produz especulações.
  Pode ser porque a maior preocupação do governador tri-eleito, além de espezinhar o prefeito de Curitiba, Beto Richa, seja a de encontrar uma colocação para o Padre Roque Santeiro, secretário do Trabalho e Ação Social, que não se reelegeu. Ou porque, consagrado nas urnas com uma diferença de 10 mil e pouquíssimos votos, ele esteja esperando a contribuição do senador Osmar Dias, alçado pelas urnas à condição de meio governador. Ou ainda, o que é mais grave, o governador Requião acredite no Paraná que foi mostrado no horário eleitoral, durante a campanha, onde tudo estava pronto e perfeito.
  O fato é que o primeiro dia dos próximos quatro anos está batendo à porta e ninguém sabe, ninguém viu, nenhum projeto de impacto, para chamar minimamente a atenção vindo do Governo que se reinicia. Há que se lembrar o passado, quando recém-eleito, o aguerrido governador Requião anunciou a grande estrela do novo secretariado: ele mesmo, acumulando a chefia do governo com a secretaria de Segurança, uma área tão desgastada que exigia mais do que apenas um xerife, mas Dois em Um. Não foi um mau secretário da Segurança, nem mesmo foi mau, mas gerou expectativa, dado elementar quando se trata de oferecer ao povo além de leite e luz de graça, também esperança.

Governo de todos e...
  Se a reeleição significa que o povo quer que o Governo continue exatamente como está, sem mudar uma vírgula, então se tem a explicação, mas não a solução. Acontece que aqui no Paraná, exatos 50% dos eleitores disseram ‘‘não’’ a tudo isso que aí está. Queriam mudanças, portanto. E, a se partir do princípio que o Governo eleito democraticamente o é para todos, então é hora do tri-eleito começar jogar para a platéia do ‘‘não’’. Ou seja, buscar as razões do ‘‘não’’ e trabalhar para mudá-las.
  Até agora, porém, os sinais revelados pelo governador tri-eleito apontam para lugar nenhum. Primeiro, uma desapropriação de fazenda multinacional que pesquisa transgênicos, a Syngenta, sem qualquer vínculo com a legalidade, a exemplo de outras medidas já tomadas nos últimos quatro anos e com péssimo resultado para os cofres do Estado. Segundo, uma viagem a Brasília para uma conversa com o presidente Lula, em que o único diferencial foi a não ingestão de caroços de mamona. Terceiro, a participação no encontro com outros governadores eleitos do PMDB, numa aprazível praia de Santa Catarina, para ir preparando terreno a uma eventual candidatura presidencial, sem grandes repercussões a não o de tratar bem a imprensa vizinha. E, finalmente, o anúncio de uma viagem de 2 semanas para a França.

... para todos
  E quéco? diriam os paranaenses. Ora, diante de um pré-início de terceiro governo, onde os personagens são os mesmos, e pior, agindo exatamente do mesmo jeito, sem nada de novo no front, haverá tesão suficiente para segurar o casamento, quer dizer, para ter um mínimo de expectativa nos próximos quatro anos? O que o governo vai fazer com a (in)segurança e os PCCs da vida que deitam e rolam no Paraná, por exemplo? E com o pedágio, que aumenta agora? E com a educação, o Porto? E os Sem-Terra, meu Deus do Céu, firmemente acampados na frente do Incra, numa das ruas mais movimentadas de Curitiba? Nem vamos insistir muito aqui, para não gerar mais desânimo, numa política de industrialização e de agronegócio, porque aí já seria exigir demais de Roberto Requião, o amigo de Hugo Chaves por excelência.
  É claro que, diante da ausência de qualquer projeto futuro, a lógica ensina que o secretariado do novo Governo não terá nem grande número de pretendentes e, muito menos, grandes mudanças. Sem especuladores, no bom sentido, zero de especulações.
  Então, minha gente, só nos cabe perguntar: para onde irá Padre Roque Santeiro?

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