RUTH BOLOGNESE
Novo Dicionário Político
O bom e velho Aurélio não decifra nem fornece significado das palavras-chaves usadas em campanhas políticas. Por ser um dicionário honesto, preocupado com o verdadeiro sentido dos termos da língua portuguesa, não serve como referência para o brasileiro entender o que querem dizer os candidatos. Daí que, mais uma vez, esta coluna sai a campo e trás mais uma (grande) contribuição para o aprimoramento do processo eleitoral em curso.
Pra começar com chave de ouro, esta coluna se autotraduz e revela o que significa, no pau da goiaba, o trecho acima: diante do fato de que a campanha política no Paraná caminha, a passos largos, para a monotonia mais radical, onde a ausência total de novidades levou o candidato Osmar Dias a antecipar denúncia contra si mesmo nesta semana, e sem qualquer perspectiva de um big escândalo, uma super denúncia pessoal, daquelas que se espalham como rastilho de pólvora, a colunista se desespera e parte para a arte criativa. Tradução de arte criativa: o que os marketólogos fazem para vender um candidato-balão, aquele que, se você dar uma estocada, murcha. No caso da colunista, o que não se faz para preencher um espaço em branco.
Pra não continuar enrolando como os programas do horário político, vamos aos fatos. Melhor, às palavras:
Candidatura: problema psicológico para a família Dias, tábua de salvação para a família Requião, permissão para o senador Flávio Arns tirar o paletó e falar sentado.
Voto limpo: bucha vegetal que Rubens Bueno recomenda para tomar banho.
Salto alto: no caso do senador Álvaro Dias, é isso mesmo. Os demais, se usarem, podem trupicar.
Requião Irmão: para os adversários, nepotismo. Para o povo, todos aqueles que apagam as luzes do Palácio Iguaçu.
Requião Governador: agronegócio, gado sem aftosa, classe A e B, soja transgênica: sim, já podem pra cair na choradeira.
Apoio político: argumento do tipo eu sou você amanhã
Partido político: equivalente à fralda geriátrica: quem precisa usar tem vergonha de contar.
Escândalo político: é como caviar os ricos conhecem e se aproveitam. E nunca chega ao povão.
Corrida alucinante: um Governador sem cinto, num Jeep sem capota, contando lorotas para o Paraná inteiro.
Discursos do senador Flávio Arns na TV: remédio natural contra insônia
Confiança e respeito: é o que se promete ao eleitor e se cumpre com o financiador da campanha.
Doação de campanha: é como dinheiro gasto em bordel: o retorno tem que ser prazeroso e garantido.
50% mais um: garantia de vitória na eleição majoritária e rachide na emenda do orçamento.
Roubalheira no PT: para o eleitor de Lula, desceu redondo.
Deputado Mensaleiro: figurante bem pago na comédia A ética no Governo Petista
Coligação partidária: o mesmo que o motel é de todos, mas os quartos são separados.
Verticalização na eleição: é o mesmo efeito do Viagra: até salva um casamento, mas estimula mesmo é a traição.
Proposta de campanha: quando ouvir uma, chame a polícia. Pura fraude.
Palavra dada. Palavra Cumprida: então, quero meu dinheiro do pedágio de volta.
Ferreirinha: um primo em segundo grau do Requião que aparece em toda campanha e trabalha pra ele. Ou contra, não se sabe direito.





