RUTH BOLOGNESE
Só os candidatos são felizes
Nada faz tão bem ao ego como ser candidato a cargo, qualquer cargo, político no Brasil. A candidatura é a única atividade, depois de um crime horrendo, um grande acidente, um escândalo de proporções continentais ou da participação num Big Brother, que transforma um bagual completamente desconhecido numa estrela de primeira grandeza, seja no bairro, na cidade, no estado ou, glória maior, no país inteiro. Basta observar os candidatos em ação para perceber que estes homens e mulheres estão vivendo o melhor momento de suas vidas. Quer melhor exemplo do que a 'Luiza' Helena, esta Lampiã Alagoana, que explode em clímax de felicidade diante das câmaras de TV? Ou um Eymael, um Bivar, que parecem ter fechado ainda ontem uma empresinha de importação em Miami Beach, quando manifestam as respectivas opiniões sobre os altos impostos ou a violência no Brasil?
São homens e mulheres no pleno exercício da felicidade: podem dizer o que lhes passa pela cabeça, expor o plano mais mirabolante, prometer casa, comida, roupa lavada e uma loura (ou louro) ensaboada que serão ouvidos, gravados, televisados. Podem exibir a mãe, a patroa, a sogra, o netinho, o ex-adversário ou o arquiinimigo de ontem, que todos serão louvados. E, mais importante de tudo, podem inventar um novo Estado ou um novo País, que ninguém lhes cobra coerência.
Entre o sonho...
Vejam aqui, onde o Paraná do governador Roberto Requião, que agora deu pra andar de Jeep sem capota, é um Estado à beira da perfeição absoluta, com estradas tinindo, leitinho pras crianças pobres, empregos correndo atrás de mão-de-obra, desenvolvimento chinês e qualidade de vida dinamarquesa. Ora, no Paraná que nós conhecemos todo mundo sabe que, se o governador Requião sair andando naquele Jeep, de noite, em qualquer bairro de uma cidade média ou grande, pode ficar sem o Jeep, sem o relógio e se, duvidar, até sem a camisa azul clara.
O senador Osmar Dias, grande esperança eleitoral de quem prefere votar naquele capeta de quem Requião se fez aliado na eleição passada do que no próprio, promete unir o campo e as cidades paranaenses num só aperto de mãos. Só não explica se vai transformar o Paraná inteiro numa plantação de soja (o que acabaria imediatamente com todos os problemas do Estado, povo aí incluído) ou ligar uma cidade ao ladinho da outra pro pessoal de Foz do Iguaçu vir passear toda hora na rua das Flores em Curitiba.
O Rubens Bueno, mocinho bom de Campo Mourão, quer tirar a família Requião do Palácio Iguaçu na calada da noite e, com essa prova incontestável de honestidade, tem certeza, todos os problemas do Estado vão desaparecer, assim, de um pulo. Tal medida, sabemos, vai mesmo é criar problemas para a família de quem se fala. Quanto a resolver os nossos....
E assim vamos prosseguindo. O humanista Flávio Arns pretende nos levar aos céus através da valorização do ''humano'', do nosso eu, daquilo que temos de melhor dentro de nós, em nossas almas e, assim, praticar a inclusão social pra toda a humanidade.Enquanto isso, a gente fica pensando como uma conversa mole dessas iria ''bater'' junto ao comando do PCC, lá na penitenciária de segurança máxima de Catanduvas.
...e o feijão
Esta papagaiada toda, sem o menor sentido neste mundo do meu Deus em que estamos, não empolga, não convence, não esclarece, não informa e não aumenta o grau de educação política dos paranaenses, princípio básico das campanhas eleitorais. Antes, ensina a escolha do errado pelo fingimento do certo.
Um Paraná que nos últimos três anos teve gado abatido a tiros sem qualquer prova de febre aftosa, que viu o Porto de Paranaguá entregar carga, a matéria elementar, para Santa Catarina por incompetência do irmão psicanalista do Governador, onde se expulsa o investimento e se atrai o MST, onde se rompe contratos internacionais numa sem-cerimônia de corar ditador cubano, onde a violência nos recolhe atrás de janelas gradeadas tão ou quase impermeáveis como nossa recém inaugurada prisão de segurança máxima, este Paraná, merecia uma campanha eleitoral no mínimo mais crítica, no máximo com um projeto alternativo real de gestão e desenvolvimento à altura de sua potencialidade como Estado.
Mas não. Estamos à mercê dos candidatos-felizes, aqueles eternos otimistas de plantão, infantis e absolutos, que tudo resolvem, tudo podem, tudo vencem durante o período eleitoral. Por isso são tão felizes os candidatos. Nós, não.





