RUTH BOLOGNESE
Brincadeiras de roda
Vivemos tempos modernos, minha gente, onde a nebulosidade variada esconde os pecadilhos pessoais mais abjetos e iguala os mais éticos, os mais honestos, os mais crentes com a turma da outra banda. Da mesma maneira que casamentos já não se desfazem pela circunstancial pulada de cerca, em política defender a fidelidade partidária já é tão remoto quanto Antisardina. Quase ninguém sabe exatamente do que se trata.
A história política do Paraná é um festival esotérico de pequenas e grandes mudanças ideológicas. É só puxar um pouco pela memória e eis aí um mosaico de um dar as costas pro outro que, de repente, o mais aguerrido adversário de ontem está de braço dado com o coligado de hoje. Exemplos? Tem aos montes. Eis os mais recentes:
1) Coligação Alcatre à Palaciana
Roberto Requião, se liga a Hermas Brandão, que é ligado a Beto Richa, que é filho de José Richa, traído e abandonado por Roberto Requião. Hermas Brandão, como todo mundo lembra, teve que deixar a secretaria de Agricultura de Jaime Lerner porque foi denunciado na tribuna do Senado pelo então senador Requião por receber na conta pessoal recursos públicos destinados à recuperação de estradas rurais.
Nada disso importa. Hoje é: todos juntos vamos!
2) Coligação Post Mortem
Osmar Dias se liga a Jaime Lerner, que se liga a Flávio Martinez, que é irmão de José Carlos Martinez que apoiava Lula e era o primeiro amigo do misto de mensaleiro e cantor de ópera, Roberto Jefferson. A ligação in memorian entre Osmar Dias e José Carlos Martinez, o Batatinha é de arrepiar em plena luz do dia. Não tanto quanto o outro arrepio a cercar Osmar Dias, a companhia de Paulo Maluf, representado no Paraná pelo deputado Ricardo Barros.
3) Coligação Sou mais Eu
Rubens Bueno se liga a Cássio Taniguchi que era ligado a Jaime Lerner e estes dois foram abandonados por Beto Richa e traídos por Rafael Greca. Há que se lembrar que Rubens Bueno já apoiou Roberto Requião, Jaime Lerner e foi amigo de fé, irmão camarada de Álvaro Dias.O socialismo dele é igual ao Carneiro no Buraco, prato típico de Campo Mourão: coloca-se tudo pra cozinhar em fogo lento e vê no que dá depois.
4) Coligação Nóis contra nóis
O deputado André Vargas se liga ao deputado Natálio Stica, que é só tem olhos para Roberto Requião, que quer ser ligado a todo mundo mas não se liga a ninguém. E no meio de tudo isso entram os liberais do PL, que não sabem bem o que fazer com a estrela vermelha do Lula e a companhia do Partido Comunista do Brasil, o PCdoB albanês.
O futuro com eles
E como encontrar, no meio deste verdadeiro balaio de gatos (no sentido de bichanos recém nascidos), um candidato pra votar com gosto em outubro? É meio complicado. Primeiro, deve-se esquecer a sigla partidária do Elemento. É tão supérfluo quanto gravata pra colher café. Depois, não dá pra confundir a fidelidade partidária com a amorosa.Rubens Bueno não se cansa de repetir que jamais traiu dona Rosemari e...
Outra coisa que não adianta nada é o apelar para o Dize-me Com Quem Andas. No caso, todo mundo anda com todo mundo. E, ademais, o governador Requião já declarou em alto e bom som que, dependendo da circunstância, faz aliança até com o Capeta. Ora, depois do Capeta, quem é que sobra em termos de ruindade?
A única saída para pescar um candidato digno deste nome nestas águas turvas é perguntar pra mãe. Não as deles, mas a nossa. Aí, basta fechar os olhos e começar com minha-mãe-mandou-votar-neste-daqui! E vamo que vamo que no segundo turno tem muito mais.





