Apertem os cintos. Os prefeitos sumiram!
  Em nenhum momento da história política mais recente do Paraná os prefeitos tiveram papel tão insignificante como na safra atual. Se a Assembléia Legislativa, vizinha do Palácio Iguaçu, prima pela docilidade de deputados amestrados e mantidos em rédea curta, os 399 prefeitos do Paraná, mesmo na distância geográfica do poder e seus tentáculos, se esmeram pela altaneira indiferença diante das graves questões do Estado. Pior ainda: não se trata de discordância política ou servidão obsequiosa ao governante maior de plantão. É quase um desprezo, um nada a ver mesmo, para com o destino, tanto econômico, como político, do Paraná.
  E é só observar mais de perto: a começar pelo prefeito de Curitiba, o tucano Beto Richa, o segundo maior eleitor do Estado que, ao invés de comandar o processo sucessório do seu partido, o PSDB, condição que lhe pertence por ocupar o lugar que ocupa, investe muito mais na convivência amena com o governador Roberto Requião, PMDB, com quem aparece, useiro e vezeiro, inaugurando obras conjuntas em Curitiba.

Pelo Interior
  De Richa, podemos seguir para a segunda maior cidade do Estado, Londrina, onde o prefeito do PT, Nedson Micheleti, já é dado como desaparecido no segundo mandato. Dos tempos em que o prefeito Dalton Paranaguá era recebido com tapete vermelho no Palácio Iguaçu e com reverência pela imprensa da capital, ou de um José Richa, eleito Governador, nem se deve lembrar. Pra não chorar. A situação é tão grave que chega a dar saudade das traquinagens do Belinati, que fechava o aeroporto de Londrina pra cutucar a onça palaciana com vara curta. E, mesmo assim, conseguiu influir tanto na política do Paraná que dona Emília foi a primeira vice-governadora do Estado, com direito a replay.
  Na rota em direção ao Noroeste, pode-se passar sem olhar para Cambé (terra de Hauly) Arapongas (reduto do Pugliesi) e Apucarana (feudo dos Scarpelini), uma verdadeira trinca de mudos atualmente e chegar em Maringá. Ali, o filho do Silvio Barros, irmão e cunhado dos deputados Ricardo e Cida Borghetti, o prefeito Silvio Barros II, mesmo com tanta dinastia e amparo político, prefere se manter à sombra frondosa dos ipês e perobas da cidade a enfrentar o frio de Curitiba de vez em quando. Ninguém lembra sequer do som da voz dele. Nem mesmo se fala.
  Sem perder a rota, podemos chegar ao marco das três fronteiras, em Foz do Iguaçu, onde quem comanda é um empresário da construção civil, Paulo Mac Donald, com fama de absolutista e que se elegeu com vontade de fazer valer a opinião dele além dos limites municipais. Dois anos e meio de governo depois, quem continua rugindo forte em Foz do Iguaçu são as Cataratas, apenas.
  Na disputa ao Governo, um único prefeito, Victor Hugo Burko, de Guarapuava, se coloca como pré-opção e ainda restrito a um partido pequeno, o PL. E entre todos os pré-candidatos ao Governo, apenas Roberto Requião (que foi prefeito da capital, mas nem deve se lembrar disso) e Rubens Bueno (que foi prefeito de Campo Mourão há séculos) vieram do quadro municipal.

Medo do que ?
  Outros exemplos estão aí, em municípios grandes, médios e pequenos. O fato é que os prefeitos do Paraná estão mais calados do que passarinho em processo de mudança. Pode ser por timidez, ou receio, diante de um governador como Roberto Requião que tem na fala ligeira e sarcástica a melhor arma de ataque e na imposição de suas decisões, a forma de governar o Paraná. Pode ser que os problemas dos municípios ocupem mais que o tempo disponível de cada prefeito. Ou pode ser que, assim como a grande maioria dos brasileiros, os prefeitos paranaenses estejam sem muito assunto quando se trata de tentar mudar o futuro através da classe política que aí está. Vai se saber.
  O fato é que, nenhuma das grandes decisões do governo Roberto Requião, desde a tentativa pífia de proibir transgênicos, passando pelo apoio ao movimento Sem Terras e aos hermanos latino americanos, até contratação da parentada e a administração desastrosa do Porto de Paranaguá, tiveram qualquer manifestação dos prefeitos em pleno exercício do cargo.
  Já está na hora de lembrar aos ditos cujos que foram eleitos, também, para sair um pouco das tocas municipalistas e pensar no Paraná. Que moram, em seqüência, na Via Láctea, Planeta Terra, Continente Sul Americano, Brasil e Paraná, antes de suas cidades. Ou, simplesmente, que não basta ser prefeito, tem que participar.

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