RUTH BOLOGNESE
Requião contra Requião
Mesmo que nunca tenha afirmado categoricamente que será candidato novamente ao governo do Paraná e seu nome nem tenha passado pela convenção do PMDB, ninguém duvida que o governador Roberto Requião vai se entrincheirar no Palácio Iguaçu e grudar a ..., bem, vai continuar sentado na cadeira que ocupa hoje na base do daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira. E, vamos e venhamos, imaginar que o PMDB do Paraná não vá aprovar a candidatura de Roberto Requião em convenção equivale a esperar vaia de católico fervoroso em dia de missa do Papa.
Mas, ah! Se todo paranaense fosse como um deputado Dobrandino Silva, um Doático Santos, talvez um Benedito Pires, gente que já se acostumou a amar o chefe acima e abaixo de todas as coisas... Não é. Pelas pesquisas, o nosso EL Supremo governa um Estado onde 45% dos governados gostariam muito de vê-lo pelas costas. Não só vê-lo, mas se tivessem coragem, empurrá-lo para um abismo sem fim. É a síndrome da rejeição, no caso uma senhora rejeição, que atinge todos os políticos, mais dia, menos dia, com maior ou menor intensidade.
Muita gente que entende de política acha que, com 45% de paranaenses que não gostam dele, Roberto Requião, mesmo com o maquinário público operando a todo vapor a favor, e mais um Lulinha Paz e Amor do lado, é candidato frágil na reeleição. Pode até ser .
Mas qualquer um que acompanha e conhece bem o perfil político de Roberto Requião sabe que ele só cresce no conflito direto e exposto. Que, na presença de um adversário forte em campanha vira bicho, come caroço de mamona no pé, dá o braço pro Capeta.
O grande adversário
E é justamente neste ponto que a eleição no Paraná pode trazer, ainda, grandes emoções. O raciocínio é lógico: ora, diante da ausência de um candidato de oposição à altura nas próximas eleições, e com 45% de rejeição, conclui-se que o maior adversário de Roberto Requião na reeleição será... Roberto Requião.
Com os dados de que dispõe e a experiência em estratégia e tática política que acumulou, imaginem só o que o candidato Roberto Requião não fará contra o governador Roberto Requião? Irá moer seu adversário em três tempos: pra começar, vai cobrar a demissão de todos os Requiões do Governo, bater na promessa não cumprida do fim do pedágio, exigir transparência na compra inexplicável da UEG de Araucária, a Usina que foi sem nunca ter sido. E vai combater o atraso na economia do Paraná nos últimos 4 anos, a irresponsabilidade da febre aftosa, o desestímulo ao agronegócio, o rompimento dos contratos internacionais, o apoio ao Hugo Chaves e ao índio boliviano, aquele carrasco do gás do Brasil e tudo e mais um pouco.
Lado pessoal
E se a batalha eleitoral esquentar mais, o candidato Roberto Requião será capaz até de partir para as cobranças pessoais, criticar o comportamento do Governador, como as brigas permanentes e os acessos de ira em público, o uso indevido e pessoal da TV Educativa e a posição de ''Agente Passivo da Corrupção'' diante das propostas de propinas de grandes bancos. E se estiver em risco a reeleição, não será surpresa se o candidato Requião vier com a velha e conhecida tática do ''Ferreirinha'', de recuperar toda aquela história inventada na eleição de 82, tirar o fantasma do armário e jogá-lo contra o governador Requião.
Com este arsenal de críticas e denúncias, o candidato Roberto Requião vai reduzir a pó o Governador. Não vai ficar pedra sobre pedra no Paraná. Quem falou em campanha chocha, sem adversário e com resultado pré-estabelecido?





