Quem paga o pato?
Que o governador Roberto Requião é um homem corajoso, aguerrido e ousado ninguém pode negar. Poderoso também, o que o faz mais do que merecedor do sub-título com que é referido neste espaço frequentemente, El Supremo. Se algumas vezes pisa com mais força na bola, como fez em Santo Antônio do Sudoeste ao mandar os agricultores enfiar... bem, a colocar em outro lugar as faixas de protesto contra o Governo, ou mastiga caroços de mamonas em Brasília, acaba contribuindo com novas e divertidas histórias que correm a respeito dele no folclore político do Paraná. E política é como futebol: sem aqueles craques que dizem disparates, se casam muitas vezes ou criam coreografias espetaculares no gramado, perde a graça.
O que diz respeito a nós paranaenses, em relação à reconhecida ousadia do Governador Requião, é o nosso bolso. De alguma forma, todas as vezes que ele ousa um pouco mais e, é preciso reconhecer, com a intenção de nos proteger ou melhorar nossa vida, nós temos que colocar a mão no bolso.

Multas e derrotas
Não se critica aqui a atitude do governador Requião de se declarar um ''nepotista militante'' e contratar parentes (todos eles) para trabalhar no seu Governo. Quem dera! Mesmo imoral, esta é a menor de todas as despesas pagas pelo povo do Paraná, um troco que, terminado o mandato, fica zerado. Seria mesquinharia reclamar por tão pouco.
A conta a que se refere, e que ninguém sabe exatamente em quanto vai ficar, ( aí está o perigo) , é proporcional aos tamanhos variados das ousadias de EL Supremo no Governo. Por exemplo: quando, contra tudo e contra todos determinou que aqui, nestas terras férteis, ninguém iria plantar soja transgênica, e muito menos embarcá-la, Roberto Requião isolou o Paraná no Sul, levou o pessoal do agronegócio a procurar a Justiça e o resultado está aí: desde a semana passada pagamos multas diárias no Porto, determinadas pela Justiça Federal.
Multas irrisórias se comparadas aos novos mercados conquistados pelos portos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul que beijam o chão onde Requião pisa, de tão contentes. E lá vai o dinheirinho suado do povo do Paraná sustentar o progresso dos vizinhos.
Outra decisão judicial que está para estourar por aí e atinge a TV Educativa, que tem obedecido à ordem do Chefe de exibir somente o Chefe durante toda a programação. E adivinhem só de onde vai sair o dinheiro para pagar a multa, algo em torno de R$ 50 mil por dia?

Sem acordos
E porque Roberto Requião não faz acordos, a turma do pedágio não tem do que reclamar. Sim, ganhou na Justiça todos os aumentos que quis e ri à toa cada vez que um paranaense passa por uma praça de pedágio.
Assim como, ao levantar a espada justiceira contra a multinacional norte- americana, El Paso, Requião condenou à inércia uma termoelétrica, a UEG Araucária, por três anos. Agora, quando se vê diante de mais uma derrota judicial, e internacional, do tribunal de Paris, que poderia trazer prejuízos de bilhões aos nossos já minguados cofres públicos, compra a usina com maquinário enferrujado. Por R$ 300 milhões, Gente!
E porque Roberto Requião é contra o sistema financeiro que aí está, tirou as contas públicas do Banco Itaú, privado, e substituiu pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica, estatais, numa atitude zorrista (de Zorro, o defensor dos pobres e inocentes). Resultado: aposentados, funcionários públicos em geral, pensionistas e empresas correm como baratas tontas, ora no Itaú, ora no Banco do Brasil, ora na CEF para tentar descobrir onde, afinal, estão suas contas bancárias. E o Banco Itaú lá, ganhando ações na Justiça contra contratos rompidos pelo Governo das Araucárias.

Admiração e desconfiança
O povo do Paraná, tímido por natureza, sempre admirou as atitudes ousadas e corajosas do Governador Requião. Tanto assim que o reelegeu para comandar os destinos do Estado. Mas, depois de ver as contas para pagar e sem saber exatamente que novas despesas virão, começa a desconfiar que a ousadia está a um passo da insensatez. E aí sai caro pra burro.

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