Para sobreviver até 2010
  Tem aquelas velhas máximas de não levar sanduíche em banquete, namorada(o) em festinha de escritório, segunda lua-de-mel com a patroa, dançar com irmã(o) etc, etc. Expressam, em seu conjunto, o tédio de algumas situações que, mais dia, menos dia, todos nós encaramos. É da vida.
  Quando a monotonia atinge uma área como a política, onde é preciso despertar aquele leão, quer dizer, aquele eleitor adormecido por dois anos que nos habita, aí é tarefa para ser chamada de hercúlea sem ofender nenhum brio helênico. Vamos e venhamos: como é que nós, paranaenses, vamos levantar a bunda do sofá macio para aplaudir e torcer por nosso candidato favorito na próxima campanha eleitoral que está cada vez mais próxima? Que esforço será preciso para reprisar o velho refrão ‘‘é Requião, Irmão’’ e fazer disso um grito de guerra contra o adversário? Qual adversário, Cara Branca?
  Pelo panorama atual, o mesmo filme de 2002 começa a ser rebobinado. A opção é: ou Requião contra Álvaro Dias ou Álvaro Dias contra Requião ou Requião sozinho, o que dá tudo na mesma.


O pacto possível
  Diante da perspectiva de reprise do atual Governo por falta absoluta de opção, ao invés de cair na indiferença que geralmente acompanha o tédio, o Paraná pode dar um exemplo ao Brasil e quiçá ao mundo, e fazer um pacto com o Governador Requião para sobreviver até 2010. Antes de votar, nós eleitores vamos apresentar as condições pactuais para os próximos 5 anos. O mandato é de 4 anos mas, para termos certeza que as condições serão obedecidas à risca, o treinamento começa amanhã.
  São pequenos ajustes que não vão interferir na administração pública, mas que terão forte impacto no humor e na qualidade de vida de 10 milhões de paranaenses. Vamos lá:


As exigências
1) Reeleito, o Governador só terá direito a dois discursos: um no dia da posse e outro na transmissão do cargo ao sucessor, limitado a 5 minutos cada um, incluindo as saudações. Pode ir treinando a partir de amanhã.
2) Durante os próximos 5 anos, aparições na TV, inclusive na Educativa, apenas na missa em louvor a Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de Outubro e no meio da multidão. Mas só nos anos impares;
3) Em visita a Santo Antônio do Sudoeste, o Governador não poderá falar sobre as faixas de protesto de agricultores perto das crianças. Nem longe;
4) Em visita a Brasília, não poderá mastigar nada que seja marrom, pareça chocolate ou amendoim japonês;
5) Deverá manter distância regulamentar de borboletas, raras ou não, gado de corte, doente ou não e dedo de jornalista;
6) Contar piadas pode. Mas primeiro para o Benedito Pires, principal assessor muito, muito nervoso. Se ele rir, vale para o resto do Estado. Se ele gargalhar, é bom chamar o médico;
7) Governador irritado, liberado. Vermelho de raiva, idem. Dedo indicador em riste, (mas em silêncio), idem. Dons naturais são dons naturais. Fazer o que?
8) Sorrir feliz em público, proibido. Nunca se sabe o que vem depois de algo completamente inédito;
9) Ficar cada vez mais parecido com o irmão Eduardo, o Vovó Naná, não pode. Dose dupla, tanto de um quanto de outro, pode causar trauma coletivo. E irrecuperável.
10) Ser corajoso como o Tarzan, ok. Mas atenção: a favor, não contra o Paraná.

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