Os mistérios da UEG Araucária


O governo do Paraná deve uma boa explicação sobre a Usina Termelétrica de Gás de Araucária,a UEG Araucária, construída na região metropolitana de Curitiba. O assunto é árido, de trato difícil em linguagem para nós, leigos mortais e muito complicado. E, justamente por causa disso, entra naquela zona perigosa onde se aproveita a nebulosidade para confundir ainda mais a miragem.
No português claro,sem aforismos técnicos, a história da Usina começa quando Fernando Henrique Cardoso se apavorou com o Apagão de 2001 e montou um programa para construir 45 usinas termelétricas movidas a gás natural, aptas a evitar interrupção no fornecimento de energia para o País. Apenas 15 delas saíram do papel, uma no Paraná, onde se associaram sob a sigla de UEG Araucária o Governo Lerner,(20%), a Petrobrás (20%) e a multinacional norte americana EL Paso,(60%). Total do investimento: U$ 320 milhões. No segundo semestre de 2002 estava apta a operar.



Sem funcionamento

Logo que assumiu, Roberto Requião denunciou um problema técnico e de segurança na Usina, rompeu unilateralmente o contrato da Copel na sociedade UEG Araucária e, sem perspectiva de solução, o assunto foi levado para a Corte Internacional de Arbitragem de Paris. O governo do Paraná contratou um dos maiores escritórios de advocacia do País, Pinheiro Neto, de São Paulo e o processo rolou nos três últimos anos.
Há cerca de 15 dias, o próprio governador Requião veio a público anunciar um grande negócio: a Copel vai comprar a parte da multinacional EL Paso na sociedade por U$ 190 milhões de dólares, quase R$ 600 milhões de reais. Com isso, a Copel fica com 80% da Termelétrica e a Petrobrás com 20%. E o Paraná ainda assume uma dívida de R$ 190 milhões (que será paga em 60 prestações) com a Petrobrás pelo gás boliviano que a UEG não utilizou mas estava previsto em contrato. Com esta transação, já devidamente autorizada pelo Governo Federal, governador Requião diz que o Paraná está economizando mais de R$1 bilhão de reais.



Com ou sem defeito?

Diante de um negócio tão espetacular como este para os cofres do tesouro do Paraná, nós que não entendemos nada de energia,muito menos de terminal arbitral de Paris, só podemos perguntar:
1) Como o governo do Paraná aponta um grave defeito técnico e de segurança na Usina de Araucária, que nunca funcionou, e 3 anos depois compra a mesma Usina, que continua não funcionando?

2) Por que o defeito técnico só apareceu na Usina de Araucária e as outras 14 usinas brasileiras, usando a mesma tecnologia, não apresentaram nada?

3) Por que a Petrobrás reduziu a dívida de R$ 760 milhões para R$ 190 milhões pelo gás boliviano que não recebeu e que deveria cobrar como multa do Governo Federal que garantiu o fornecimento?

4) Por que o Governo do Paraná não conta que a multa pelo rompimento de contrato era de U$ 500 milhões e que a Corte Arbitral de Paris daria razão à UEG Araucária?

5) Onde está o memorando da própria multinacional EL Paso, que ofereceu sua parte da UEG por U$ 60 milhões de dólares logo no início do Governo Requião?

6) E o defeito, onde está o defeito da Usina?

7) Afinal, o gás boliviano chegou ou não chegou?

8) Por que o corpo técnico da Copel, que transformou a empresa num exemplo de administração e avanços tecnológicos nos últimos 50 anos, não questiona a compra da UEG Araucária?

Nesta ou na próxima semana o governo do Paraná deve enviar o processo de compra da parte da EL Paso para análise na Assembléia Legislativa. Com a palavra , nossos deputados.

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