UM GRANDE ACORDO E UMA ONDA
Está em plena gestação o pai de todos os acordos na política do Paraná. Aplicadamente, o governador Roberto Requião que, a não ser na eleição para o Senado sempre entrou em disputas com grande desvantagem, agora monta um cenário para as eleições de outubro mais quente que sol de rachar mamona.
Tudo começou com o recuo de Osmar Dias,PDT, até então considerado imbatível como candidato ao Governo. Sem Osmar, que a cada dia que passa mais se fragiliza, o governador partiu para a conquista do PSDB paranaense que detém a prefeitura da Capital, o maior colégio eleitoral do Estado. O alvo é óbvio e atende interesses tanto de um lado quanto de outro: reeleito Requião com os votos de Curitiba, Beto Richa surge como o sucessor natural para o Governo em 2010. É doce por demais atraente e difícil de recusar.
Mas quem daria ao Beto Richa a ôcantada" definitiva? Ninguém menos do que o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, tucano sem grandes chances de se eleger ao Senado, mas de olho num fim de carreira política com certo charme e glória. Ou seja, nenhum galho mais atraente do que o cargo de Vice-Governador e a promessa de assumir o Governo do Paraná por uns meses,lá na frente, no final do segundo mandato de Requião. Então, oferece-se ao atual vice, Orlando Pessuti, que também estava de olho no Senado ou na reprise do cargo, uma tranqüila vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. Bidu!
Dividido,com a asa caída, o PSDB já não tem muito a oferecer ao aliado de sempre, o PFL e sem uma coligação forte, Álvaro Dias já entra na terceira disputa para o Governo com as duas derrotas anteriores pesando mais do que chumbo. Neste momento já se fala na Capital num acordão incluindo também Álvaro que esqueceria esta história de voltar ao Palácio Iguaçu e disputaria o Senado de novo, ganhando fácil mais 8 anos em Brasília, onde circula tão bem.
Com a máquina do Governo na mão, mais a parte do PSDB que lhe interessa e tendo como adversário ora um PT desenxabido, ora um PPS que não empolga e um PFL que perdeu o rumo, o governador Requião caminha para a reeleição com apenas um ponto fraco: o eleitor paranaense que certamente vai perguntar ômas será que não tenho outra opção para votar com gosto?"
Como se vê, em política não é um governo de grandes, nem sequer médias realizações, nem de críticas da imprensa, denúncias, e muito menos de competências econômicas ou sociais, que vai levar à vitória ou à derrota nas urnas. São dois os fatores determinantes: a circunstância e um bom acordo político.
E como combinar tudo isso com o eleitor? Ora, ora, o eleitor é problema de marketólogos que só vão agir (pagos em dólares ou não) lá na frente, no horário gratuito na TV.


Surf na onda Lerner
O prefeito Beto Richa, PSDB, tem boa oportunidade durante a Conferência da ONU que começa na próxima semana em Curitiba, para lançar o nome Richa além fronteiras. É a chance de preencher a orfandade internacional que o arquiteto Jaime Lerner deixou na área de soluções criativas e modernas para as cidades de todos os tamanhos e com todos os problemas.
A equipe Beto hoje está recheada de viúvas lernistas, a começar pelo recém empossado secretário de Relações Internacionais, Luis Fernando Guimarães, que deve falar uns 24 idiomas com a mesma rapidez e ansiedade com que se expressa no velho e bom Português. Homem certo no lugar certo diante da multidão de estrangeiros que passam a circular pela Capital, ávidos por ver in loco a cidade conhecida como a mais moderna do País.
É certo que as intervenções urbanas e obras ousadas que Jaime Lerner fez em Curitiba em suas três gestões como prefeito já estão balzaquianas, mas ainda assim, quando exibidas ao público externo, mantém o charme e a funcionalidade. Com uma ou outra maquilagem, pequena que seja, como tirar os estacionamentos da Visconde Guarapuava, umas limpezinhas aqui e ali, e pronto. Mais do que todos os ex-prefeitos que tentaram surfar na onda lernista em dimensões internacionais como Grecca e Taniguchi, nosso Alberto Roberto ganha nos quesitos simpatia, estampa e juventude. Tem tudo para convencer os visitantes de 182 países que depois de Jaime Lerner, Beto Richa é o exemplo brasileiro que rima cidade com modernidade.
O único detalhe, e este diz respeito muito mais aos curitibanos do que ao mundo, é que Beto Richa não é Jaime Lerner e mesmo que tenha um Governo de nomes à altura e semelhança, sempre ficará muito aquém da revolução urbana que o arquiteto fez em Curitiba.Mas diante de estrangeiros embasbacados com esta balzaquiana tão interessante, o que custa manter a fantasia um pouquinho mais, não é mesmo? Uma mentirinha a mais ou a menos...

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