RUTH BOLOGNESE
Dois fatos e um talento Adeus Parentada
A onda continua: a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que exclui a parentada dos Tribunais de Justiça de todo o País, já provoca uma caça ao privilégio nos demais poderes. A Câmara Federal entra na linha a partir de março. É bom tema para a oposição na eleição de outubro e, aqui no Paraná, assunto que, apesar do esforço em contrário do Governo, terá que emergir. O governador Requião sempre se comportou com indiferença olímpica diante das críticas sobre a presença de parentes na administração estadual. Contratou todos os Requiões que quis. E abriu a porteira para que o staff oficial o seguisse. Finalmente entendeu-se o mote de campanha tão batido nos palanques da última eleição: ''é Requião, Irmão!'' Era mesmo.
Por simples teimosia ou porque acredita no talento do irmão ou ainda porque se deixou levar pelos laços de sangue, a verdade é que o Governador Roberto Requião manteve no Porto de Paranaguá, talvez o mais estratégico dos cargos da área econômica do Estado, Eduardo Requião. O psicanalista conseguiu a unanimidade ao contrário e, por mais que a publicidade oficial tente encobrir o desastre administrativo do Porto, estão aí os portos de Santa Catarina, que vão acabar homenageando o Governo do Paraná pela colaboração, de mão beijada, no desenvolvimento. Deles. Em Paranaguá, a conversa corrente é que Eduardo Requião será uma espécie de moeda de troca na reeleição. Desencarna do cargo e dá o sinal de gato, mostrando que o Palácio Iguaçu vai mudar tudo na próxima gestão. Pode ser. Mas, diante do exemplo da Justiça, não há mais clima para subterfúgio ou indiferença. Parente, minha gente, tem mais é que pegar o caminho da roça. E sozinho.
UEL no Paredão
A Universidade Estadual de Londrina virou notícia nacional com a queda da marquise, domingo passado. Dá para imaginar o choque das famílias, quase todas de fora do Estado, diante da morte ou lesão definitiva dos filhos, que estavam ali apenas tentando aprender mais e acabaram soterrados. É possível compreender o aspecto acidental do episódio, mas não dá pra aceitar que uma Universidade não tenha um trabalho de prevenção capaz de evitar tragédias como essa num ambiente onde circulam centenas de jovens todos os dias. Ora, um grupo de alunos do curso de engenharia, acompanhados de um bom professor, poderia tranquilamente testar uma ou duas vezes por ano a situação dos prédios de toda a escola. Seria até uma forma de prova, de avaliação de conhecimento e com direito à nota. A casa do ferreiro não pode ter a desculpa do espeto de pau numa Universidade da importância da UEL. A reitoria está cheia de dedos, consternada e até transparente na divulgação dos fatos do acidente, mas isso não esconde o erro de origem, a irresponsabilidade no cuidado com os chamados logradouros públicos. Mau exemplo que mancha o nome da UEL.
Diego Singh
A curitibana Anna Toledo já está entre os grandes nomes do teatro musical brasileiro. No ''Fantasma da Ópera'', o musical da Broadway em cartaz em Sampa, ela faz sete papéis, cantando, interpretando, dançando. Mas Anna aposta mesmo é na carreira de cantora (jazz e MPB), e segue os passos de Itamar Assunção e Arrigo Barnabé, que se projetaram na área de música de alta qualidade, beirando o erudito. Ela tem formação em canto lírico, e a carreira foi construída, em parte, no Original Café, em Curitiba. Seu CD ''Frescura'' é coisa séria.





