RUTH BOLOGNESE
OSMAR DIAS ESTÁ VIRANDO SUCO
E eis que de repente, não mais que de repente, a candidatura imbatível do senador Osmar Dias, PDT, ao governo do Paraná, começa a virar suco. De chofre, assim, seria difícil explicar a razão mas a cada dia que passa o senador está diminuindo de tamanho como força política capaz de impedir a reeleição do governador Roberto Requião. A situação ficou tão afro-descendente que o pai de todos os aliados de Osmar, o PSDB, numa das 35 reuniões diárias da bancada em Brasília lançou no ar, nesta semana, a mãe de todas as certezas: vai de candidatura própria em 2006.
Pode-se tentar explicar tal fenômeno a partir das ausências do senador: primeiro, o desaparecimento total da cena política em Brasília num período crucial, o das denúncias escabrosas contra o governo Lula. E cadê o Osmar Dias, tão identificado com a ética na política, expulso do PSDB por ter assinado a CPI da Corrupção contra o governo FHC? Sumiu. Explicações veladas de assessores mais próximos falavam em não contaminação, em preservação da imagem. Pura besteira. Quase 3 meses sem presença forte na mídia do Paraná e uns centímetros a menos na estatura política.
Mas ainda não era o fim do mundo. A grande ausência veio mesmo no episódio da febre aftosa no Paraná, o reduto eleitoral e profissional do senador. Enquanto produtores derramavam o leite no chão de casa e o gado do Paraná era rejeitado em todas as fronteiras, ele foi descansar em Maringá, ao lado do pai de 94 anos, seo Silvino, sem ler jornal e longe do celular. Está estressado, disseram, mais uma vez, os assessores, numa pífia tentativa de evitar o inevitável, as especulações sobre as verdadeiras razões do chá de sumiço. De depressão profunda a problemas do coração, tudo e mais um pouco se falou. Causa da depressão? Tem gente jurando que foi causada por uma ameaça de Roberto Requião (sempre ele e sempre os mesmos métodos) de divulgar um dossiê sobre as amplas terras de Osmar Dias no jovem Estado do Tocantins.
O fato concreto é que Osmar Dias retornou do auto-exílio com expressão mais carregada do que a costumeira. Ocupou espaço na mídia e ficou menor ainda. Reprisou os mesmos argumentos de Requião com críticas a Palloci e relembrou as centenas de vezes em que, da tribuna do Senado, alertou o mundo contra o perigo da febre aftosa. Ora, ora, dirá o eleitor, entre um Urtigão sem Jaquetão Azul e o produto original, é melhor arriscar menos e continuar ouvindo as mesmas piadas por mais quatro anos do neo-venezuelano que, afinal, já ocupa o Palácio Iguaçu.
Junte-se a tudo isso que aí está um partido, o PDT, sem estrutura própria para sustentar uma candidatura nem no Paraná e muito menos no Brasil, um irmão que aparece mais na telinha do que a Fátima Bernardes e que é louco para ser governador de novo num PSDB que precisa cantar de galo no Brasil inteiro para voar para Brasília, e eis uma candidatura até então imbatível que começa a resvalar para o foi bom enquanto durou, meu bem. A situação ser revertida? Of course, meu caro Watson. Ainda tem o PFL, vai que a nuvem de popularidade onde EL Supremo se acomoda fica mais rala, o PSDB do Muro pode mudar de idéia e, afinal, política é uma caixinha...
Mas hoje é bom lembrar Álvaro Dias: muitas vezes e em ocasiões em que, relaxado, deixou fluir seu lado cobra-criada, o irmão mais velho dos Dias afirmou e reafirmou que Osmar não tem a força, nem fôlego emocional para bater de frente com Roberto Requião.
Pelo jeito não era só o veneno destilado. Era o refugo anunciado.





