RUTH BOLOGNESE
O Boi Bandido
Quem disse foi o próprio governador Roberto Requião no programa nacional do PMDB, nesta sexta-feira: 82% dos paranaenses apóiam o governo dele. Baseado em que, não explicou. Mas o percentual significa que entre 100 caboclos, apenas o equivalente a uma dúzia de ovos não quer saber do nosso EL Supremo. E, é bom considerar, ovo não vota.
Um apoio tão grande não pode ser milagre, nem resultado da tecnologia, muito menos da propaganda. Também não é mentira, dado ao fato que político não mente neste País. Só não fica sabendo.
O apoio de 82% ao governo atual, na verdade, não interessa do lado de lá, do governante. Interessa, sim, do lado de cá, dos governados. Qual é a razão que leva uma imensa maioria a dizer ''Eta Governo bom este'' quase 3 anos depois de Requião, à frente da grande família, ter ido morar no Palácio Iguaçu?
Vamos esquecer o pedágio que aumentou, o porto de Paranaguá que, na contramão do planeta, expulsa carga ao invés de receber, do desastre da (inexistência) febre aftosa, das pontes que caem e por aí vai. Nem vamos lembrar da falta de leitos em UTIS pelo Paraná afora, da insegurança das grandes e pequenas cidades. E é melhor não entrar no terreno da tal transparência-de-governo, que começa com aplicações do dinheiro da Copel em banco falido, passa pelas relações íntimas com a Interbrazil, a grande seguradora-amiga do PT e se esborracha em denúncias de superfaturamento no ''leite das crianças''. Três anos de Governo e até agora nenhuma mísera explicação oficial sobre nenhum destes assuntos.
Para examinar cada um destes itens, e mais a ausência completa de um planejamento a médio e longo prazo para o Estado, seria preciso um livro. Não é necessário, porque informação sobre tudo isso e mais um pouco o paranaense tem de montão. Então, por que um apoio tão grande para um governo que nada, mas nada mesmo, se diferencia da média nacional?
A compreensão do fenômeno deve ir, como quase sempre, em direção ao psicológico. No fundo, bem lá no fundo, os paranaenses devem gostar de governador brabo, de mandatário que briga com delegado em público, que xinga o governo federal e anda a cavalo de manhã. Ou na ordem contrária.
Se não gostasse de brabeza, os índices de audiência da novela ''América'', que acabou de acabar, seriam baixos. Não foram. E o personagem de maior sucesso no Brasil inteiro e aqui no Paraná em especial, foi o Boi Bandido. Nunca fez nada na novela: apenas andava de um lado para outro, socava o chão e fazia cara feia. E nem pegou aftosa, o bruto. Para todo o Paraná, foi o máximo dos máximos.
Moral da história? Governante aqui não precisa mostrar serviço. Basta levantar poeira. Ou, assim é se lhe parece.





