RUTH BOLOGNESE
O Paraná e a crise
A semana política mais atribulada do ano terminou com uma opinião unânime, não só em Brasília, mas no Brasil inteiro: o governo Lula pegou a descida de terra roxa molhada com os 4 pneus lisos. Nada vai segura. No meio do furacão estão três paranaenses, Osmar Serraglio (PMDB), Gustavo Fruet (PSDB) e Álvaro Dias (PSDB), exercendo influência total nos acontecimentos, muito mais nos bastidores do que a exposição diária na mídia mostra. Fruet participou de um chat na sexta-feira e os 3 computadores congestionaram. Álvaro recebe um e-mail por minuto, de todo o Brasil, e Serraglio não consegue andar nos corredores, de tanto assédio. Outros paranaenses, como Luiz Carlos Hauly, Alceni Guerra, Flávio Arns e Osmar Dias, se posicionam com força na sequência dos fatos.
O que espanta quem observa a conturbada cena política de Brasília é a desconexão total entre a bancada federal em Brasília e o governo do Paraná. Nos últimos 10 dias o governador Requião foi duas vezes à Capital Federal e só se soube da visita em comentários esporádicos de assessores de parlamentares. O líder do PMDB na Câmara, um paranaense de Jandaia do Sul, José Borba, está em rito sumário de cassação e o vazio de liderança prossegue ao compasso da crise. Na entrada da esteira rolante que liga os gabinetes e os plenários, o deputado Chico da Princesa (PL), um baixinho meio invocado do Norte Velho paranaense, joga o cigarro longe. Se o gesto, incorreto, denuncia imediatamente que a Princesa é uma empresa de ônibus e não origem nobre, a fala, aos pulinhos, completa o serviço: Chico trabalhou 23 anos na Viação Princesa do Norte, da região de Santo Antônio da Platina, fez a carreira política no setor e agora já não sabe se quer ser deputado federal de novo. ''O Requião é capaz de inaugurar uma estrada na minha região sem me convidar. Do jeito que a coisa tá, de repente meu nome entra numa destas listas e acabou tudo'', diz, em tom de desalento, de quem não conta nem com seus próprios conterrâneos em tempos bicudos.
Já se passaram dois anos e meio de mandato e a bancada do Paraná só reuniu, neste tempo todo, duas vezes com o governador Requião em Brasília. Uma, no comecinho da gestão, quando a então secretária de Planejamento, Eleonora Fruet apresentou o Plano de Governo e a outra na comemoração de 150 anos da emancipação política do Paraná, evento social.
Este desarranjo na comunicação entre o poder executivo e o poder legislativo federal, que não é deste Governo, mas já se tornou histórico, coloca o Paraná num patamar rasteiro, sem a menor influência em Brasília. É cada um de per si. Num momento de crise como esta, mesmo os paranaenses se sobressaindo como nunca, tanto para o bem (Fruet, Serraglio e Cia), como para o mal (Borba, Janene e Cia.), o Paraná como quinto Estado da Federação em termos econômicos, passa ao largo. Talvez por isso a capa da revista de esquerda ''Caros Amigos'', exposta na banca do aeroporto de Brasília com a foto do governador Requião e a manchete ''O governador que enfrenta as multinacionais'' pareça tão démodé, perdida no tempo, inadequada e absolutamente isolada. A crise do presidente Lula mostra a toda hora o que acontece quando um governante exerce o poder, mas não lidera: fica falando sozinho de assuntos que já morreram.
Porto sem Saída
A interrupção do tráfego de navios no Canal da Galheta, no Porto de Paranaguá, fato gravíssimo, é consequência da instalação de bóias de sinalização compradas pela Superintendência sem qualquer cuidado. Um negócio de R$3 milhões que beneficiou um antiguíssimo fornecedor de equipamentos portuários para os governos do Paraná, Étore Casória, com boas ligações com o Tribunal de Contas. Foi declarado inimigo Número Um de Roberto Requião no primeiro Governo justamente pelo poderoso lobby que exercia em Paranaguá.





