Mirem-se no exemplo
Em termos de sex-appeal, o deputado Gustavo Fruet (PSDB), está mais para o Padre Roque do que para o Beto Richa. É baixo, muito magro, tem a testa ampla demais e usa sempre sobre os ombros blusa de lã azul claro apagado que não ajuda em nada. O tom da voz dele não empolga nem com notícia de prêmio em loteria. Já passou dos 40 e ainda não se casou o que, pelo menos oficialmente, também o identifica com o Padre Roque. Dona Ivete, a mãe dele, vive sonhando que o noivado com uma moça de Brasília, chamada Márcia, ainda acabe em casamento.

Pois esse homem simples, que não lembra em nada as lideranças locais mais expressivas, ou explosivas, é hoje a maior reserva moral da política do Paraná. Posição importante, fundamental até, para um Estado que enviou para Brasília, com votações significativas, gente evolvida com o mensalão, na verdade articuladores do mensalão.

Diante de tantas lideranças políticas à beira do ralo, a presença de Gustavo Fruet em Brasília é símbolo de que nem tudo está perdido. Ora direis, eis que a jornalista abandona a clausula pétrea da imparcialidade profissional e se joga na promoção pura e simples de um político. É isso mesmo. Faz-se aqui a mais deslavada confissão de voto, pública e definitiva, seguida de promoção, sim. E baseada em dois princípios claros: 1) a tal imparcialidade da imprensa é história pra boi roncar de tédio; e 2) a opção preferencial por Gustavo Fruet é necessária, vital, quando os brasileiros procuram desesperadamente um grão de trigo no imenso joio em que se transformou a atividade política brasileira. Quem achar que a independência ou a credibilidade de um jornal, ou de um profissional de imprensa, se consolida escondendo o jogo (e o voto) do eleitor, que atire a primeira crítica.

Mas voltemos ao Gustavo Fruet, personagem principal deste Domingo. Esse moço quieto, de atitudes afáveis, segue uma carreira política exemplar, de orgulhar seu pai, Maurício, que entrou para a política como classe média/média,foi vereador, deputado e prefeito na Capital e morreu classe média/média. Mas enquanto Maurício conquistava seu eleitor na base da simpatia, do exercício democrático (quando ser democrata era um desafio à ditadura), Gustavo, com mestrado e doutorado em Direito, optou pelo caminho mais frio do conhecimento técnico, do estudo das questões públicas, áridos e complicados assuntos, como orçamento, lei de falências, etc, etc. E acrescentou aos seus mandatos um comportamento ético absoluto, que acabou por coloca-lo na Comissão mais importante e solicitada nos dias de hoje na Câmara dos Deputados, a da Ética.
Contam os que vivem em Brasília que no gabinete de Gustavo Fruet se formam filas de gente querendo dar depoimentos, entregar gravações, documentos e colaborar, enfim, com a faxina geral que o Brasil precisa realizar para respirar um pouco de ar puro.É um sinal (raro) de confiança num deputado.
Gustavo Fruet não fala aos gritos, nem ergue o dedo em riste, tiques comuns aos que querem convencer a todo custo. Não empolga platéias nem atrai paixões desenfreadas. Esta ausência de carisma pessoal, afirmam, lhe impede de alçar vôos mais altos. Mas é bom lembrar que foi justamente um jovem carismático pra dedéu que saiu de Alagoas e, num pulo, chegou a presidência da República.
Se todos os políticos brasileiros em geral, e os paranaenses em particular, se mirassem no exemplo de Gustavo Fruet, certamente o assunto da coluna de hoje seria um ou outro projeto de educação, saúde ou meio ambiente apresentado por um deputado nosso em Brasília para melhorar a vida de mais gente.
Por enquanto, é preciso fazer declaração de voto em público e chamar a atenção para Gustavo Fruet, cumpridor do dever mais previsível e que, mesmo assim, no embalo do circunstancial escandaloso, já o faz merecedor do Oscar.
Tudo isso, minha gente, é mais triste do que nunca.Não pelo Gustavo Fruet. Mas por nós.

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