RUTH BOLOGNESE
Do que os eleitores gostam
Vamos deixar de lado aquele velho papo desgastado (pelos políticos) de aperfeiçoamento democrático, defesa das instituições, conquistas sociais, etc, etc. Também já foi para as calendas a fase da ''longa noite do arbítrio'' que, durante muito tempo, Álvaro Dias usou para arrancar suspiros de mocinhas contra a ditadura militar. Assim como já foram superados os radialistas raivosos, (onde anda o 'Cadeia'?), os demagogos da palavra, os coronéis, as feministas e os apenas bonitinhos. Hoje, os brasileiros vivem correndo atrás do prejú, matam um boi por dia para sobreviver e, se bobearem, um chinês mais esperto chega antes e vende até pirulito de soja para os índios de Nonoai.
Por isso, nenhum político precisa provar que sabe tudo, entende de tudo, só trai a patroa em pensamento e trabalha dia e noite para o bem do Brasil. Relaxem, companheiros!
Ser apenas decente
Vocês podem até fazer uma ou outra demagogia, piscar para as moças nos bailes ou mudar de partido assemelhado para ter mais chances eleitorais. Aceita-se que, de vez em quando, tenham que dizer sim ao Governo em troca de uma ou outra liberação de verba para as bases eleitorais. Ninguém vai morrer porque vocês exageram na auto promoção, principalmente na TV ou nas campanhas eleitorais, ou contratam um irmão ou primo mais preparado para trabalhar por perto. Tudo isso, vá lá, o eleitor acaba relevando.
O que se pede é apenas um pouco de decência. Um pouquinho só já seria suficiente. Mas o que acontece hoje é que os políticos já passaram de todas as medidas, em todos os níveis e, para tentar abafar a grande negociata nacional, apelam para comportamentos e atitudes que não convencem nem o caboclo mais distraído. Será que vocês, políticos, não percebem isso? É tão óbvio! Para tentar, pelo menos, evitar constrangimentos, enumeramos aqui algumas das atitudes que precisam ser deletadas urgentemente. Não é para melhorar a imagem de ninguém, apenas pra não cansar demais o eleitor:
Não chorar
Político só pode chorar em público se for por unha encravada, ou dor nos rins, jamais pelos problemas brasileiros. O presidente Lula não pode ver um sem terra, um esfomeado ou um petista pagando o mensalão que se debulha em lágrimas e nem por isso o choro dá resultado.
O eleitor não quer ver choro nem vela. Quer ver o Lula comendo o fígado de petista desgovernado.
Abrir o jogo
Menos, menos, menos! Por favor, promessas, não! Sejam realistas e abram o jogo:
''O PT vai virar o PTB e o PTB vai virar mar (de lama)'', by Lula
''O funcionalismo de Londrina verá o que é bom prá tosse'', by Nedson Micheleti
''A tarifa do ônibus vai subir'', by Alberto Roberto Richa
''Pedágio: não abaixa nem acaba'', by vocês sabem quem
''Sou, mas quem não é?'', by Roberto Jefferson
Não enganar
O eleitor é como mulher apaixonada, supera até pêlos grisalhos no peito (dele), se puder discutir a relação. Então, senhores, assumam:
''Sim, fiz implante de cabelo, mas o Álvaro começou bem antes'' - Osmar Dias
''Se meu irmão sair candidato ao Governo, vou apoiá-lo. Se ganhar, vou precisar de psicólogo'' - Álvaro Dias
''Emprego parentes, mas todos competentes'' - Governo do PMDB no Paraná
''Ser Lerner não é preciso. Estar no poder é preciso'' - Rafael Greca
''Ser oposição em tempos de mensalão não é rima, nem solução''- PFL deprimido
''O MST quer a reforma agrária, não fazer política'' - MST
Não fingir
''Quem financia minha campanha são os mais pobres'' - todo mundo
''Empreiteiros não passam nem da porta do palácio'' - todo mundo
''A propaganda é do Governo, não pessoal'' - todo mundo
''A viagem é de interesse público'' - todo mundo
''A imprensa não deve ser comprada''- todo mundo
''Meu voto é limpo''/ ''Vamos apurar tudo'' - todo mundo
''A convenção é soberana''/ ''Respeito o adversário'' - todo mundo
''Não é conchavo, é debate'' - todo mundo
''É só para alertar o Governo'' - toda oposição
E o pai de todos os fingimentos: ''Faço política pelo bem do Brasil''.





