A capital brasileira do sexo
  Que Rio de Janeiro, que nada! Esqueçam os baianos, que suam mesmo é dançando axé! A última pesquisa nacional sobre comportamento sexual divulgada pelo Ministério da Saúde, nesta semana, levantou tanto o ... bem, a auto-estima dos curitibanos, que o Viagra aqui virou liquidação de Natal. Vejam que maravilha: 91,7 dos habitantes, de 14 a 54 anos de Curitiba, são sexualmente ativos. E a média nacional é de apenas 90%. Gente, isto significa que os curitibanos superam em sexo 1,7% a média dos brasileiros. No popular, uma comparecida e 30% de outra, a mais por casal.
  Com aquilo na mão, quer dizer, com 1,7% de vantagem debaixo dos lençóis, qualquer publicitário carente, mesmo no atraso, pode elevar Curitiba de referência nacional em planejamento urbano a Capital Brasileira do Sexo. E tem tudo a ver. É só olhar: com uma rua chamada Calçadão e uns ônibus vermelhos, grandões, penetrando e deslizando por vias exclusivas, Jaime Lerner convenceu o mundo inteiro que Curitiba era a cidade mais planejada do planeta. E o mundo acreditou. Imaginem, então, o que não se pode fazer com quase duas transas (desculpem, aqui ainda se chama aquilo de ‘‘coito’’), então, com quase dois coitos a mais no currículo?
A campanha ideal
  A nova é tão boa que, mesmo sem o Lerner aqui para transformar algo pequeno em algo grande, pode-se caçar com gato mesmo. E no assunto que tratamos, um gato (ou uma gata) é sempre mais estimulante. Primeira providência: esperar a posse do novo prefeito, o Alberto Roberto Richa.
  O Alberto Roberto endureceu com os adversários na campanha, não negou fogo diante da urna e ainda é um quase virgem na função de prefeito. Eis o homem para elevar Curitiba às alturas. Mas, ainda assim, todo cuidado é pouco. Não adianta, por exemplo, o prefeito-meio-virgem ser rápido demais no gatilho, conseqüência previsível da falta de intimidade com a função, e lançar uma campanha de publicidade no Brasil inteiro com trocadilhos infames. Algo assim como ‘‘Curitiba tem um grande negócio para voc꒒, ou ‘‘Tá duro? Venha para Curitiba’’.
Sexo na lotação
  Ou, pior ainda, usar o moderno sistema de transporte curitibano como inspiração: ‘‘Ligeirinho, você só encontra aqui’’ ou ‘‘Suba no Expressão Vermelho’’. E convenhamos, ‘‘Entre num Bi-articulado e vá ao paraíso’’ é uma frase tão chocha que, se conseguir levantar alguma coisa, será a suspeita de bissexualidade.
  Olhaí, em matéria de sexo, assim como o tamanho, todo cuidado às vezes, é pouco. Esta história de bissexualidade, por exemplo, pode ficar bem em novela da Globo mas, como qualquer modernidade explícita, assusta no começo, mesmo na cidade campeã de sexo no Brasil, e com transporte tão avantajado, quer dizer, tão avançado como Curitiba. É certo que a cidade se rendeu logo aos movimentos do abre e fecha da sanfona dos ônibus Bi-articulados, mas pode demorar um pouco para assumir os dois lados. Pelo menos, publicamente.
Quase ninfos
  Agora, na hora H, aquela do vamos ver mesmo, Curitiba não pode falhar e passar vergonha. Ao abrir para o mundo o plus genético para praticar sexo, a cidade tem que levar só vantagem. Se algum gaiato, por exemplo, levantar a hipótese que o curitibano é quase um ninfo por falta do que fazer, tragam um canivete afiado. Um bilau a mais ou a menos, não terá maior ou menor influência na próxima pesquisa.
  Preencher o vazio da rotina com o sexo só vale ali, no exercício do treme-treme. Como justificativa social é totalmente furada. Neste caso, os políticos brasileiros é que seriam mais valorizados do que touro premiado, não os curitibanos.
Come quieto
  Uma revelação que pode despertar interesse e beneficiar a cidade é sobre o verdadeiro significado da expressão do mineirinho, o famoso ‘‘come-quieto’’.Lá em Minas, vale só para pão-de-queijo enquanto em Curitiba, ahá...aqui, o ‘‘come-quieto’’ é isso mesmo: o curitibano é capaz, sim, de superar os brasileiros em número de coitos, mas jamais iria incomodar o vizinho com barulho. Morre de vergonha e só come em silêncio obsequioso.
  No próximo capítulo: Sexo: os números mostram tudo

mockup