Teste eleitoral

Como até agora a população ainda está meio cabreira com seus candidatos, vamos sugerir aqui uma série de testes que a Justiça Eleitoral poderá realizar até as eleições. Será uma forma de escapar aos perfis quase perfeitos que os marketólogos constroem para transformar cada candidato na última bolachinha do pacote, aquela que todo mundo quer. Quem já fez o teste de analfabetismo e conseguiu ser aprovado, terá que repetir alguns itens, sob nova condição: entram agora conhecimentos gerais. E antes de começar, pode comer a bolachinha. Vamos lá:

De Brasília

Cada candidato terá que passar dois meses em Brasília, com todas as mordomias da Presidência da República. Se tentar comprar um avião, começar a beber uísque demais, andar de braço dado com o Antônio Carlos Magalhães, falar bobagens de improviso e imitar FHC, estará reprovado e sem direito a recorrer da decisão.

Por ter enganado tantos durante tanto tempo.

De Curitiba

Estágio de dois meses em Curitiba. Se aguentar o frio, a pregação oficial sobre a cidade mais moderna do Brasil, o arroz amarelão, a locução bilu, bilu de Cássio Taniguchi, as gritarias de EL Supremo, as idéias originais dos deputados e o programa político do Mauro Moraes, está automaticamente aprovado.

Pela capacidade de suportar tortura moral e babaquices.

De Big Brother

O candidato será colocado numa sala, por 40 minutos, com os seguintes elementos: EL Supremo, uma praça de pedágio, um saco de soja transgênica, um sem-terra, um operador portuário, o padre Roque e a Juliana Paes.

Se conseguir que todos rezem é porque engana o padre Roque, o que não quer dizer muita coisa. Se fugir com a Juliana Paes, nem vai mais pensar em eleição. E se aguentar os 40 minutos, pode ser candidato a Papa.

De conhecimentos gerais

Cada candidato a prefeito em Curitiba vai ter que pronunciar com familiaridade o nome do bairro ''Botiatuvinha''. O Ângelo Vanhoni (PT/PMDB), não poderá participar. No programa eleitoral de terça-feira, ao tentar falar ''Botiatuvinha'' colocou a cabeça prá frente, fechou os olhos quando chegou no ''tu'' e respirou aliviado no ''vi-nha''.
Sinal óbvio que até então só tinha lido o nome do bairro no mapa da cidade.

De pêlos e cabelos

A forma de pintar ou clarear os cabelos não importa muito. Nem se exige do candidato que a revele. Nedson Micheleti (PT), o prefeito de Londrina, esta aí para provar a validade do teste: não vai contar nunca o que usou para chegar aos tons acobreados atuais, mas nem por isso deixará de participar de eleições. Já os pêlos são outra coisa. O programa eleitoral do Barbosinha, candidato do PDT em Londrina, coloca no ar as axilas do candidato, durante sessão de ginástica.

Ou seja, se o candidato clarear os cabelos e não tiver pêlos para mostrar embaixo do braço, está fora. Se tiver pêlos e não mostrar na TV, perde ponto. Se clarear os cabelos e os pêlos ao mesmo tempo, a mulher dele pode sair de fininho porque aí tem!

De religiosidade

Ajoelhou tem que rezar. O Antônio Belinati (PSL), só tira fotografia ajoelhado, com os olhos fechados e murmurando. O que ele pede a Deus, ninguém nunca ouviu. E é melhor nem Deus ouvir. Agora, se no teste o candidato rezar o Pai Nosso assim ''Pai nosso, que estais no céu...seja o teu nome...vosso reino... assim na Terra como no céu... graças a Deus, amém'', corra longe. Se ele tenta passar até Deus pra trás, o quê não fará na prefeitura?

De sexualidade

Cada candidato será colocado numa sauna gay, durante 40 minutos. Se tossir, é puro disfarce. Se gritar, depende que tipo de grito: 1) Uaaau, uiui, aiai, oioi ou 2) Me tirem daqui, me tirem daqui.

No número 1, está em casa. No número 2, morre de vontade de ficar, mas não quer dar na vista. Se aparecer estatelado e de olhos vidrados, já decidiu sair da campanha. E do armário.

De batatinha

A cada candidato será dada uma batatinha, igual em peso e forma. Se ele perguntar quem deu, melhor sair de perto. Imagina o que não vai perguntar quando souber dos dólares dos empreiteiros. Se ele quiser plantar, dê-lhe uma enxada, saia de perto e afaste os fotógrafos. Se não cortar uns dois dedos do pé, será lucro. Se ele quiser cozinhar, deixe imediatamente esta campanha porque já está faltando até o que comer.

Se ele guardar a batatinha no bolso, é o Maluf. Se quiser dividir, é um candidato do PT: ele distribui a batatinha agora pra ficar com tudo depois de eleito. E se ele jogar a batatinha em você, não é o candidato. É o Requião.

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