RUTH BOLOGNESE
Sem dinheiro dos bingos
Nessa terça-feira o Tribunal de Contas analisa a primeira prestação de contas do Governo Requião. Já foi detectada uma redução drástica da arrecadação do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar), resultado do fechamento dos bingos.
Reforma para vencer
É difícil entender os desígnios do prefeito Cássio Taniguchi: ele faz uma reforma do secretariado, dá um chega pra lá no pessoal do PSDB e coloca nos postos chaves gente de sua confiança. E diz que tudo foi feito para que não o acusem de uso da máquina na campanha. E tudo isso a três meses das eleições?
Contrato milionário
Circula pela Internet documento detalhado sobre um contrato de R$2.950 milhões entre a Copel e o escritório Pinheiro Neto, de Brasília, para atendimento do caso El-Paso. Para quem não acompanhou a história, logo no início do Governo o governador Roberto Requião rompeu contrato com a El-Paso, empresa norteamericana sócia da Copel na usina Termoelétrica de Araucária.
Desembolso
A questão do rompimento unilateral do contrato foi para a Justiça e o Estado corre risco de ter que desembolsar, no futuro, algo em torno U$800 milhões, que hoje corresponde a 30% do orçamento do Estado. Para atuar no caso, e por orientação do próprio Governador, foi escolhido o escritório de advocacia, Pinheiro Neto por R$2.950 milhões. A primeira fatura, de R$1.5 milhão já foi paga.
Filhos estagiários
No escritório Pinheiro Neto estagiou, ano passado, a filha do Governador, Roberta, hoje advogada. E, atualmente,trabalha lá o filho do Governador, Maurício, também advogado recém formado. A segunda fatura do contrato com a Copel, no valor de R$1.450 milhão está para ser paga.
O que se pergunta é por que o escritório Pinheiro Neto, de reconhecida competência em Brasília, mas não especializado em Direito Internacional, foi contratado sem licitação? E por que se ignorou que a própria Copel tem um departamento jurídico com 40 profissionais, também de reconhecida competência?
Com a palavra, a Copel. E o Governo.
O Paraná como ele é
Devemos, não negamos
Historiadores da UEL trazem um dado novo, ou melhor, um dado muito antigo nessa história do londrinense com rei na barriga. Dizem os estudiosos que o comportamento do pessoal tem origem, na verdade, na dívida feita ao longo do tempo, em forma de ouro em grão, que brotou da terra roxa e foi escoada pelo porto de Paranaguá, em sacas de 60 quilos, para o mundo inteiro. A riqueza gerada pelo café, entre outras coisas, pagou a ligação Curitiba/Londrina, por via férrea e rodoviária. Se fosse devolvida, já daria pra pagar supermercado para os 450 mil habitantes de Londrina por uns bons anos. Daria,também, pra presentear com um livro do Domingos Pelegrini os 9 milhões de paranaenses, o que ajudaria muito na valorização da nossa literatura. Daria para pagar um pastel com vitamina para cada brasileiro. E sobrava até, e se os londrinenses quisessem, para alavancar a reeleição do prefeito Nedson, que não sai do lugar.
Mas toda dívida é passível de discussão. Observada nos dias de hoje, os curitibanos podem dizer: ''devemos, não negamos mas quanto a pagar...'' Porque junto com o café e sua riqueza, vieram agregados que custaram muito caro ao Paraná. O exemplo mais recente é o Beto Richa, nascido em Londrina e hoje candidato a prefeito de Curitiba. Querem de volta? Os curitibanos vão ficar aqui gritando ''experimenta! Experimenta!'' Se voltarmos um pouquinho só ao passado vamos encontrar o Leite Chaves, o Belinatinho, os irmãos Álvaro e Osmar (estes não nascidos em Londrina, mas agregados e com fortes raízes), o Alborghetti, o Barbosa Neto e outros que vieram para Curitiba, se instalaram e venceram. Por isso, tem que ter desconto nessa dívida, sim. Mas sob o prisma, digamos, de pessoas, a discussão vai para um terreno pantanoso para os curitibanos. Nos últimos 30 anos, Curitiba legou ao Paraná, por exemplo, todo o pessoal do Jaime Lerner, Giovanni Gionédis incluído. E toda a família Requião, Eduardo incluído. Melhor parar por aqui.
O que nenhum dos dois povos-irmãos, londrinenses e curitibanos, filhos do mesmo Estado, ainda não perceberam é que, até agora, nessa história de dívida pra lá, dívida pra cá, quem ganhou dinheiro mesmo foi o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, que construiu a Central do Paraná, (paga com dinheiro do café) ficou riquíssimo e ainda hoje cobra horrores do Governo na Justiça por conta da obra.
Continua no próximo domingo





