Dona Ivete Fruet e o PMDB
  Aos 67 anos, 30 dos quais convivendo com a política, dona Ivete Fruet está cansada. Foi mulher de Maurício, que começou a carreira política no antigo MDB, onde a luta contra a ditadura unia em solidariedade e confiança aqueles que ousavam contestar os militares. ‘‘Era uma luta por um ideal, de irmãos mesmo, contra um inimigo comum, a ditadura’’, diz dona Ivete.

Onde está o inimigo?
  Maurício foi prefeito de Curitiba, deputado de várias legislativas e saiu de cena como um dos políticos mais admirados do Paraná. Legou a política ao filho, Gustavo, que nessa semana foi protagonista do desfecho que levou o PMDB a ir a reboque do PT nas eleições da Capital. A entrada de Gustavo na política coincidiu com uma nova fase do PMDB onde, diz dona Ivete, não se sabe mais onde está nem quem é o inimigo.

Puxando o tapete
  Depois de tanto tempo convivendo com o PMDB e suas lideranças, dona Ivete fala com isenta propriedade. ‘‘O PMDB hoje virou uma guerra de quadrilhas, onde o mínimo que se faz é puxar o tapete um dos outros. O Gustavo, ao sair Partido, não está deixando o PMDB porque esse não existe mais. Acabou’’. Gustavo só não deixa o PMDB agora por causa de vereadores e lideranças paranaenses ainda precisam do apoio dele nessas eleições. Depois seguirá caminho próprio.

Duas faces
  Na manhã de sexta-feira, de saída para pegar o neto Gabriel, de 3 anos, com quem fica enquanto a mãe, Eleonora, secretária de Planejamento do atual Governo, trabalha, dona Ivete Fruet não poupou lágrimas. Ainda não consegue classificar o comportamento de Roberto Requião que, no passado, tantas vezes desacatou o marido dela, e nos últimos tempos, investiu claramente na própria desagregação da família Fruet. ‘‘Ele prejudicava o Gustavo no PMDB e convidava Eleonora para ser vice de Vanhoni. Se meus filhos fossem competitivos, estariam em guerra’’, diz ela.

Integridade
  Dona Ivete nunca se envolveu em questões partidárias ou políticas. Mas, recentemente, fez um protesto mudo ao se recusar a receber o governador Requião em sua própria casa. Agora, confia no futuro político do filho tendo como base dois elementos geralmente em falta entre os políticos: integridade e caráter. Entra nessa semana à espera da saída de Eleonora do governo e do filho Cláudio, advogado em Brasília, que deixa de atender as ações de Roberto Requião na Justiça. É o rompimento definitivo.

O Paraná como ele é

A repercussão em Londres
  Parece que a história da descendência direta dos Windsors não está agradando muito em Londrina. O pessoal achou a teoria afetada demais para explicar o comportamento do povo que tem o rei na barriga. E inúmeros e-mails femininos deixaram claro que uma londrinense jamais usaria vestido abaixo do joelho com chumbinho na barra para se precaver contra um vento atravessado, como o fazem as aristocratas inglesas. Primeiro porque, em Londrina, não tem tanto vento assim. Só Apucarana tem. E, além do mais, um vento meio atravessado pode, de repente, mostrar o que realmente deve ser mostrado. Sem culpas. Em Londres, porém, o correspondente informa que a história do parentesco foi muito bem aceita. Elisabeth II quis saber como ancorar o navio da Marinha Inglesa com seus súditos ingleses (aqueles com chapéu de abas retas e calças largas nas pernas, tudo bege) no Calçadão. Vem para tomar posse das ocas, quer dizer, das fazendas pertencentes aos seus parentes. Mas, Elizabeth II, precavida, perguntou se a família ‘‘Requiao’’, assim mesmo sem acento, tal qual a pronúncia do Papa) reina também em Londrina. Não quer concorrência, por enquanto. Mas vai enviar como chefe da armata inglesa o príncipe Charles, porque feiúra por feiúra, está aí o primo Carlos Camargo pra ninguém botar defeito. Num pergaminho de plástico que vai ficar exposto no painel da Câmara de Vereadores de Maringá, enquanto o de Londrina não fica pronto, Elisabeth II manda avisar que toda a parentada inglesa chega aí por meados de setembro e vai ficar na chácara do Belinati. Como se sabe, os nobres só se hospedam em palacetes feitos e pagos pelo povo...

(Continua no próximo domingo)

mockup