RUTH BOLOGNESE - Duas pernas na sucessão
Por mais incrível que pareça a sucessão no Paraná passa por duas pernas. Ou um senador está passando a perna na sucessão do Paraná. Desde que alegou, há uns três meses, um problema de circulação sanguínea naquele curto espaço entre os pés e os joelhos como justificativa para adiar a decisão de sair candidato ao Governo, o senador Osmar Dias mantém muita gente em suspense.
Pra começar, o próprio partido ao qual pertence, o PDT, os que só pensam em apoiá-lo, como o PSDB e o PDT e os que sonham com a desistência definitiva, como o PPS de Rubens Bueno e o PMDB de Roberto Requião. Ou seja, por causa das pernas do senador Osmar Dias, o meio político do Paraná vive um tripé de dúvidas.
Respeita-se, é claro, a gravidade do problema médico (trombo flebite) enfrentado pelo senador Osmar Dias. Num desabafo recente ele já chegou a afirmar que não adianta nada fazer uma campanha vitoriosa, eleger-se Governador, morrer logo depois e deixar o cargo como herança para o vice. Vamos colocar previsão tão sombria na exata dimensão de um momento depressivo, a quem todo mundo está sujeito quando a saúde capenga.
Mas outro comentário, e este talvez mais revelador da disposição de Osmar Dias, merece atenção. Na sequência da preocupação com as pernas, dia desses, e certamente num outro momento jururu, ele imaginou-se como Governador eleito e tendo que amputar uma ou outra perna abaixo dos joelhos, ou as duas, como resultado do previsível desgaste físico da campanha eleitoral.
Cenário mórbido? Logicamente que sim. Mas um dos mais importantes, talvez o mais importante, presidente norte-americano, Roosevelt, único a ser eleito para o terceiro mandato, comandante em chefe dos EUA durante a Segunda Guerra, não andava, vítima da poliomielite.
Hora de decisão
Não está se defendendo aqui, PelamordeDeus, que o senador Osmar Dias se imole para sair candidato ao Governo do Paraná. O que parece óbvio é que nunca, em toda a história política do nosso Estado, duas pernas masculinas foram utilizadas com tanta maestria para confundir a sucessão para o Palácio Iguaçu.
Há seis meses a certeza da candidatura Osmar Dias era tanta que a campanha já tinha coordenador, o ex-ministro Euclides Scalco, autor do programa de Governo, o economista e professor, Belmiro Castor Jobim e até financiador, o banqueiro Joel Malucelli. Os convites foram feitos, aceitos e só. Nenhum outro contato entre personagens tão emblemáticos, a não ser os encontros sociais e públicos, aconteceu até hoje. Tanta água já rolou debaixo da ponte e todo mundo que se interessa por política no Paraná ainda se pergunta como estarão as panturrilhas do senador Osmar Dias.
Como não contavam com duas pernas no meio do caminho, os dois maiores partidos de oposição, PSDB e PFL, ficaram com o pincel na mão em termos de candidato e Roberto Requião, a cada dia que passa, se sente mais sozinho na reeleição. E nunca uma solidão foi tão bem vinda.
Diante de um cenário mais do que pobre, mendigo mesmo, em termos de disputa eleitoral, o que o Paraná espera do senador Osmar Dias é uma decisão o mais rápido possível. Esta história de verticalização é pura bobagem porque acordos brancos existem pra serem feitos mesmo. Se recursos for o problema maior, o agronegócio (meio estuporado, sem dúvida) está aí pra isso mesmo.
O fato concreto é que se ainda pensa em sair candidato, o Senador que o diga com todas as letras e parta pro abraço. Se o problema de saúde é de tal gravidade, que abra o coração e desocupe a moita.
Para o bem da própria biografia e do futuro do Paraná, o que Osmar Dias não pode fazer é passar para a história como o Senador que deu uma pernada nos paranaenses. Ou pior ainda, dar razão a Roberto Requião quando ele diz que os irmãos Dias tem é medo de enfrentá-lo nas urnas. Covardia é o pecado que menos se perdoa num político. E nos homens e mulheres também.





