O cosmonauta Alexander Lazutkin, do RKK Energia, e o cientista Vladimir Malozemov, do Moscow Aviation Institute (MAI), ambos russos, estiveram ontem em Curitiba. Eles participaram de um encontro promovido pela Faculdade Integrada Espírita, que pretende criar um centro de pesquisa astronômica no Paraná. Os dois vieram contar suas experiências em pesquisa espacial e sobrevivência no espaço.
Os dois russos estão no Brasil visitando também universidades e centros de pesquisas ligados ao setor aeroespacial. De acordo com Vladimir Malozemov, que coordena um setor de pesquisa de sobrevivência do homem no espaço, a vinda faz parte de intercâmbio entre os dois países. ‘‘Viemos para avaliar como anda o projeto aeroespacial brasileiro, para o qual formamos alguns técnicos’’, informou Malozemov, que tem interesse em estender convênios com outras instituições de ensino do País.
Malozemov considera que o maior problema do setor tem sido a falta de mão-de-obra especializada. ‘‘É preciso formar um número maior de pesquisadores e engenheiros ligados ao setor’’, disse. Para ele, discussões, como as ocorridas e programadas para hoje com professores e alunos, servem para estimular o espírito para estes segmentos. O reitor da faculdade, Otávio Ulisea, contou que está sendo desenvolvido um programa neste sentido - que seria o Programa de Educação Espacial.
Malozemov disse que a busca de convênios no setor espacial tem sido uma necessidade mundial. Ele cita como exemplo a construção da estação espacial Alfa - desenvolvida em conjunto entre Rússia, EUA e países europeus. ‘‘Seria interessante que brasileiros participassem desse projeto’’, comentou. Esta estação deverá agregar parte do conhecimento absorvido com pesquisa na estação MIR.
Quanto ao financiamento de novas pesquisas espaciais, Malozemov considera que a atual crise econômica russa dificulta o desenvolvimento de novas ténicas, como a biomédica espacial. Os russos desenvolveram técnicas para evitar danos físicos, para quem ficasse muito tempo no ar. O cientista afirma que para conseguir recursos para pesquisa, o seu instituto estaria disposto a treinar técnicos de outros países. Atualmente, especialistas do Moscow Aviation Institute já estão repassando tecnologia para curdos, chineses, europeus e americanos. ‘‘Sei que esta tecnologia não vai ser empregada de forma equivocada’’, garantiu, ao ser indagado sobre a venda de tecnologia para terroristas.

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