Ruralistas se organizam contra MST
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de julho de 1997
Alexandre Sanches Porecatu 
Os produtores rurais da região de Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina) formaram anteontem o núcleo regional da União Democrática Ruralista (UDR). Cerca de 50 pessoas dos municípios vizinhos e do Estado de São Paulo participaram da reunião convocada pelo Sindicato Rural Patronal de Porecatu. Estiveram presentes o presidente da UDR nacional, Roosevelt Roque dos Santos e da UDR de Paranavaí, Marcos Prochet.
O núcleo foi montado a pedido dos produtores preocupados com as invasões de terras na região. Na última semana, três fazendas - Floresta (Florestópolis), Jacutinga (Porecatu) e Santa Rosa (Alvorada do Sul) - foram ocupadas na região por sem-terras que estavam acampados na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul.
Durante a reunião - que durou mais de três horas -, Prochet falou dos problemas enfrentados com as invasões de sem-terra na região de Querência do Norte (região noroeste) e Pontal do Paranapanema (SP). Além de criticar as invasões, afirmou que grupos de sem-terra têm arrendado as áreas ocupadas. Estamos chegando à marca de 100 propriedades invadidas no Paraná e o governo não faz nada, desabafou.
Roosevelt dos Santos falou sobre os planos do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) com as ocupações, onde eles levantam os recursos para manter as invasões e não poupou críticas aos governos Estadual e Federal. O MST quer o poder para instalar o socialismo no país. Não podemos aceitar que o governo ande a reboque do crime, ressaltou.
Para ele, os governantes não estão respeitando a Constituição Federal e fazem o jogo imposto pelas lideranças do MST. Ou se respeita a lei, ou vai haver problemas. Se no momento da invasão o proprietário usar a força para reprimir, ele está dentro da lei que lhe garante proteger a propriedade. Se for necessário, iremos fazer isso, ameaçou.
Críticas A UDR tem coragem de dizer que apóia o proprietário que vai usar seguranças para garantir as suas terras. Por isso ela é criticada, comentou. Sobre a posição do governador Jaime Lerner na sexta-feira em Maringá, quando foi pressionado pelos ruralistas para cumprir as reintegrações de terra, Roosevelt dos Santos disse que o governo será responsabilizado pelo que pode acontecer no futuro. E cita que no Paraná 33 proprietários rurais conseguiram a reintegração de posse de suas terras invadidas e o governo não fez nada.
Há uma conivência do Incra com estas invasões. Ao todo, 212 propriedades foram desapropriadas com invasores nelas. E quem é o Raul Julgman, presidente do Incra? É um psicólogo egresso do Partido Comunista. Por isso o relacionamento ser muito bom com o MST, afirmou. Ele acredita que o governo poderia ser mais ágil e fazer cumprir seu papel.
Santos afirmou que a reforma agrária pregada pelo governo é errada. Primeiro, porque permite vistorias do Incra em áreas invadidas. Depois, porque não apresenta quais recursos serão utilizados no processo e a sua origem. A reforma agrária honesta é a que mostra de onde vem os recursos e quem serão os beneficiados, ressaltou, dizendo ser contra dar terra para os invasores.
Também foi questionada a classificação do governo para terra improdutiva. Para Santos, não é possível a Unicamp ou qualquer outro órgão taxar os índices para que a terra seja considerada produtiva. Ele afirmou que a produção se faz com estímulo e com recursos, o que o governo federal não tem dado nos últimos anos. O que o governo está fazendo é intervencionismo estatal e isso nós não aceitamos, desabafou. Ele garante que falta mecanismos para estimular a produção.
Garantindo que a UDR está ressurgindo da base ruralista, anunciou que vários núcleos devem surgir no Paraná nas próximas semanas. Ele anuncia uma reunião - com data ainda a ser confirmada - com produtores da região de Ponta Grossa. Nós não estamos forçando nada. É a nossa categoria que está nos procurando e pedindo providências urgentes.


