Albari RosaImpasseLerner (à esq.), reunido com líderes ruralistas: cobrança por providências mais ágeis para evitar conflito no campoLíderes ruralistas do Paraná estiveram reunidos durante toda a tarde de ontem com o governador Jaime Lerner, para pedir o cumprimento de 60 ordens judiciais de reintegração de posse, concedidas por causa da ocupação irregular de propriedades rurais por trabalhadores sem-terra. No encontro foi entregue ao governador uma carta denunciando ações violentas do Movimento Sem Terra (MST), assinada pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Sociedade Rural do Paraná, Movimento Nacional de Produtores do Paraná e sociedades rurais de Umuarama, Ponta Grossa, Maringá, Cascavel e Guarapuava.
Os líderes ruralistas classificaram a situação no campo como ‘‘desesperadora’’, comparando o interior do Paraná a uma ‘‘guerra civil’’. Segundo os representantes dos agricultores, existem 97 áreas em conflito no Paraná.
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos representantes dos agricultores, disse que o governador Jaime Lerner pediu um ‘tempo’ aos ruralistas para avaliar a situação. Segundo Lupion, foi marcado um novo encontro para março com os agricultores, quando podem ser anunciadas possíveis soluções. Lupion exigiu mais agilidade do governo estadual, ‘‘que recebe impostos para controlar a situação, mas nada faz’’.
Segundo o deputado, toda a classe está mobilizada para a ‘‘volta à normalidade no campo’’ e negou o apoio dos ruralistas a ações de milícias particulares na desocupação de propriedades rurais. ‘‘Mas, se o governo não se pronunciar, essas ações para a proteção da propriedade podem proliferar’’, disse.
Guerra civilPara o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, há uma verdadeira guerra civil no campo. Nervoso, Meneguette disse que o encontro de ontem com o governador é um registro de que ‘‘não somos os causadores do confronto, já que estamos pedindo a atuação do governo para o impasse’’.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Luiz Neme, disse que o governador tem a obrigação de cumprir o que a Justiça determina, para que os produtores rurais tenham tranquilidade justamente para produzir. ‘‘O Paraná, que é um Estado campeão em produção, está sendo campeão em invasões. Isso tem que ter um basta’’, desabafou.
Neme constatou que essa política de invasões acaba afugentando a participação dos proprietários rurais nos leilões de terra do Incra, dificultando o assentamento de famílias sem terra. ‘‘Atualmente quem participa de um leilão desses está sujeito a ter sua fazenda invadida no dia seguinte, antes da conclusão do processo’’, reclamou.
O sistema de avaliação das propriedades rurais adotado pelo Incra também foi criticado pelo dirigente ruralista. Neme defendeu que os critérios deveriam levar em consideração o histórico da propriedade ‘‘para que uma família que já produziu muito no passado e esteja enfrentando dificuldades financeiras que a impeçam de produzir hoje não tenha sua área desapropriada por causa de uma situação momentânea’’, disse.

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