Ruralista acusa Incra de facilitar importação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
O presidente regional da União Democrática Ruralista (UDR) em Paranavaí, Marcos Prochet, denunciou ontem que o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), está trazendo sem-terra do Mato Grosso do Sul para os acampamentos instalados em propriedades rurais de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí).
Segundo Prochet, só na madrugada de ontem dois ônibus deixaram 80 sem-terra na fazenda Água da Prata, onde já existe um acampamento do MST. A propriedade tem 446 alqueires e foi invadida por 200 famílias em maio deste ano.
Prochet afirmou que o Incra tem responsabilidade na importação de sem-terra, já que o órgão não tem nenhum cadastro para controlar as famílias que estão acampadas na região. Ele lembra que há um ano, segundo dados do próprio Incra, existiam na região de Paranavaí 5 mil sem-terra e hoje este número passa de nove mil.
Segundo Prochet, se o Incra tivesse um controle sobre o número real de sem-terra de cada região, teria inclusive o apoio dos proprietários para promover o assentamento das famílias na origem. Em Querência, por exemplo, os verdadeiros sem-terra são os ribeirinhos, que já estavam cultivando uma área antes da chegada das famílias trazidas pelo MST, disse.
Um dos líderes do MST em Querência do Norte, Celso Anghinoni, disse ontem que o movimento é nacional e não limita a ação dos trabalhadores por área de origem. Mas ele garantiu desconhecer a chegada de famílias na fazenda Água da Prata, ontem de madrugada.


