Paulo WolfgangCobrançaO presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Campinha Garcia Cid: ‘Isto só está ocorrendo no Paraná’. Segundo ele, nos outros Estados a polícia está trabalhando para garantir as reintegrações de posse determinadas pela Justiça. ‘O Movimento Sem-Terra é irreverente porque o Governo é passivo’


Arquivo Folha/Warren NabucoSegundo Incra, PR tem 77 propriedades invadidas




O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Manoel Campinha Garcia Cid, está ‘‘suplicando justiça’’ ao Governo do Estado no caso das invasões de terras no Paraná. Ele preparou uma documentação exigindo uma posição do Governo com relação às reintegrações de posse que não são cumpridas. O documento deve ser enviado hoje ao chefe do gabinete do governador, Gerson Guelmann.
Complementado por recortes de jornais sobre o assunto, o Atlas Fundiário Brasileiro e um estudo, encomendado pela SRP, orientando sobre como plantar e ajudar o pequeno proprietário a se desenvolver, o documento ressalta a ‘‘indiferença e descaso’’ da Polícia Militar no cumprimento das liminares de reintegração de posse. ‘‘Isto só está acontecendo no Paraná. Nos outros Estados a Polícia está trabalhando’’, diz Garcia Cid. ‘‘Aqui, quando procuramos a Polícia Militar, recebemos a resposta de que eles têm ordens superiores para não agir em caso de reintegrações de posse’’.
Segundo estatísticas do Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra) hoje são 77 propriedades rurais ocupadas por trabalhadores sem-terra no Paraná, sendo 8.514 famílias, em uma área total de 99.488,99 hectares. Além das propriedades invadidas, são quatro acampamentos (áreas ocupadas fora de fazendas ou em rodovias), com 2.686 famílias. ‘‘Todas as propriedades têm liminares com reintegração de posse que não são cumpridas’’, ressalta o presidente da Sociedade Rural do Paraná.
Garcia Cid reclama da falta de isonomia, citando a ação da Polícia na ocupação, feita no ano passado, do Parque Peladeiros, uma área pública de Curitiba. ‘‘Lá houve uma ação rápida e eficaz, com um grande número de policiais e viaturas para proteger o patrimônio público, mesmo sem liminar de reintegração de posse’’, compara. ‘‘A lei não é para todos? Estamos pedindo o exercício da cidadania e o direito da propriedade’’.
Na tentativa de sensibilizar o Governo, Garcia Cid cita na documentação o caso da invasão da fazenda Sagarana, de José Alves Padilha, amigo de juventude do governador Jaime Lerner. A Justiça emitiu reintegração de posse para Padilha no dia 13 de dezembro e a fazenda ainda não foi desocupada. ‘‘Isso virou anarquia. O Movimento dos Sem-Terra é irreverente porque o Governo é passivo’’, comenta Garcia Cid. Ele afirma ainda que se o Estado não garantir o cumprimento da lei, os proprietários com liminares não cumpridas deverão requerer intervenção federal.

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