Com a participação de cerca de 30 pessoas, foi aberto ontem à tarde, na Câmara de Vereadores, o Fórum Permanente da Reforma Agrária. O objetivo é discutir ações concretas para levar adiante o processo na microrregião de Londrina, formada por 29 municípios.
A instalação do Fórum veio ao encontro com a nova proposta do Governo Federal, de descentralizar a reforma agrária, contando com uma participação mais efetiva dos municípios no trabalho. A superintendente regional do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira, afirma que esta mudança no processo de condução da reforma deve ser anunciado pelo Governo nos próximos dias.
Maria de Oliveira conta que até agora o Incra promovia a reforma através de parcerias, mas que isto já não satisfaz. A superintendente entende que a participação dos municípios neste trabalho é importante, já que eles conhecem, melhor que ninguém, a realidade da região - tipo das propriedades, número de sem-terra, entre outros itens.
A abertura do Fórum se resumiu a explicações sobre como o processo de desapropriação e assentamento está sendo conduzido no Paraná e opiniões de diversos participantes a respeito do assunto. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Campinha Garcia Cid, aproveitou o evento para voltar a criticar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), inclusive chamando-o de ‘‘praga’’ e responsável por atos inconsequentes e ilegais.
Luiz Roberto de Oliveira, da executiva regional do MST, evitou revidar ‘‘as farpas’’ (como classificou) desferidas pelo o presidente da SRP. Na sua opinião, o fórum não deve ser levado neste nível de discussão, mas se limitar a falar sobre a reforma agrária, como, por exemplo, a desobstrução de entraves. ‘‘Espero que este fórum sejam de avanço, que não fique apenas na discussão.’’ A mesa do fórum foi composta também pela idealizadora do evento, a vereadora Elza Correia (sem partido), e pelo promotor Paulo Tavares.
Depois de mais de três horas de discussão, ficou decidido que serão criados um colegiado partidário, que coordenará o fórum, e três comissões - técnica, de relações humanas e jurídico. Nova reunião ficou marcado para o dia 26 deste mês, na sede do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), zona leste.

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