Rumo à Terra do Fogo - Parte 2
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Por Julio Lima 
Em Puerto Madryn pude desentortar e reinstalar o ferro que havia entortado com o meu pequeno tombo. Logo depois já estávamos na estrada rumo a Comodoro de Rivadavia. A cidade é relativamente grande, muito movimentada e está espalhada entre o litoral e as colinas do deserto. Encontramos um mirante de onde é possivel ver toda a cidade e seu belo litoral...e o resultado foram belas fotos. Fomos dormir cedo, pois a puxada no dia seguinte seria grande.
Às 8 já estávamos na estrada. O vento por aqui nesta época gira entre 20 e 50 km/h. O pior é que por diversas vezes ele vem em rajadas, jogando a moto de um lado para o outro. Andamos horas com as motos inclinadas; é a mesma coisa que fazer um curva contínua por muitos kms seguidos. Um experiência inesquecivel.
Em Piedra Buena (240 km de Rio Galegos) encontramos um casal de amigos de Rondonópolis. Que mundinho pequeno! No fim da tarde, debaixo de uma chuva fina, depois de 780 km rodados em condições difíceis, chegamos ao nosso destino: Rio Gallegos. Foi entrar no primeiro posto e caiu o mundo...Uma baita chuvarada, escapamos por pouco.
No dia seguinte o desafio eram 290 km de ripio, uma espécie de cascalho de pedras arredondadas de vários tamanhos, que é natural nessa região. Eu não tinha a mínima idéia de como iríamos conseguir rodar no ripio com o vento forte, mas se tudo corresse como o planejado, no fim do dia estaríamos na tão esperada USHUAIA.
Com um belo sol chegamos ao Estreito de Magalhães, onde uma barcaça faz a travessia em 30 minutos. O Estreito de Magalhães é uma ligação entre o Atlântico e o Pacífico Sul e a paisagem é muito bonita. Ao sair da balsa o tempo começou a virar e uma fina chuva nos acompanhou na temida parte de ripio. Tivemos que parar algumas vezes para aquecer as mãos pois estava dificil pilotar.
De repente, lá estava ela...Ushuaia...o Fim do Mundo...a cidade mais ao sul da América do Sul...um sonho tão esperado ali a minha frente... Lembrei dos amigos que me descreveram esta alegria.
Nos agasalhamos para enfrentar o baita frio que faz por aqui. Fomos ao Parque Nacional, realmente maravilhoso. Para terminar o dia fomos ao Glacial Le Martial, um local numa montanha no qual o gelo nunca derrete. Depois de um dia aqui já percebemos que o clima é maluco. Me lembrou Curitiba, pois chove e depois faz sol a toda hora.
A moto do Messias não quis pegar de jeito nenhum. Depois de desmontar tudo, descobrimos que o problema era combustivel adulterado (não é privilégio só de brasileiro). Resolvemos deixar Ushuaia no mesmo dia e tocarmos rumo a Punta Arenas. O frio novamente estava insuportável.
A partir daí pegamos o vento lateral mais forte. Por vezes fui jogado na outra mão da pista. Junto com o vento, veio a garoa e mais frio. Em Punta Arenas o Messias decidiu voltar antecipadamente para casa. Ele disse que já passou frio e tomou chuva o bastante (e ele não deixa de estar certo..risos). A partir de agora continuo o meu desafio sozinho. Obrigado Messias por esses dias de amizade e companhia.


