Fique atento aos sinais. Se você está tendo dificuldade para entender o que as pessoas dizem ou anda com a sensação de plenitude auricular (ouvido tapado), você pode ser uma vítima do ruído.
Considerado um sério problema de saúde pública mundial, o ruído é listado como um dos principais agentes causadores de estresse, insônia e depressão, além de outros sintomas que levam a mudanças físicas e psicológicas.
''O ruído é qualquer barulho ou som que passa a incomodar uma pessoa. E, ao contrário do que muitos pensam, não é só pernicioso para quem trabalha exposto a ele, como por exemplo um trabalhador da indústria, mas para qualquer pessoa'', explica a fonoaudióloga e professora da Unopar, Luciana Marchiori.
Para conscientizar a população sobre este mal, há 15 anos é comemorado em 25 de abril o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído (Inad). Para marcar a data, são realizadas atividades em todo o mundo com o objetivo de orientar a população para o controle do ruído e realizar testes de audição.
''É importante que o indíviduo saiba desses riscos e tenha consciência que são prejudiciais, pois o ruído a gente não consegue enxergar, mas está em todo o lugar como no trânsito, no trabalho e inclusive dentro de casa'', ressalta Luciana.
E os primeiros sinais de que a audição não está funcionando perfeitamente são notados pelas pessoas mais próximas. Segundo a fonoaudióloga, os familiares percebem que o volume da televisão está muito alto e que a pessoa está com dificuldade para entender o que dizem. ''O próprio indíviduo só começa a perceber quando, em ambiente muito ruidoso, passa a ficar muito irritado ou então começa a sentir o zumbido e a sensação de plenitude auricular'', diz.
A especialista também explica que as pessoas não tomam consciência da gravidade porque os efeitos são lentamente progressivos e dependem da labilidade auditiva de cada um. ''Existem pessoas que têm uma suscetibilidade para uma perda auditiva, mas a recomendação é para que todos tomem cuidado, pois o ruído não afeta só a audição. Ele também está relacionado a casos de insônia, estress, alterações metabólicas, hormonais e até hipertensão arterial'', salienta Luciana, ao ressaltar que a perda auditiva induzida por ruído é irreversível.
Fones de ouvido
O grupo mais vulnerável aos efeitos do ruído, segundo a fonoaudióloga Luciana, são os jovens e adolescentes. ''Hoje em dia, é comum vê-los o tempo todo em frente à televisão, ao telefone celular e principalmente, com fones de ouvido'', observa.
De acordo com a especialista, entre os modelos no mercado, os fones retroauriculares são mais recomendados que os de inserção, ''pois quanto mais inserido no conduto, mais proximidade terá com o ouvido'', justifica.
Luciana também ressalta que os pais devem monitorar o uso dos acessórios. ''É uma questão de educar os filhos sobre o assunto. É importante habituá-los a escutar o som mais baixo e priorizar intervalos de silêncio'', diz.
Para saber se o volume dos fones de ouvido está alto, a boa dica é perguntar se pessoa ao lado também consegue escutar, pois esse é um indicativo que o som está realmente alto.
Em relação aos grupos de risco ocupacionais, a especialista observa que muitas empregadores já se preocupam em orientar os funcionários, oferecer protetores auriculares e realizar audiometrias periódicas. Porém, indica para aqueles que não usam protetores, como por exemplo os motoristas, evitar escutar música enquanto dirige e, se possível, fechar a janela ao passar por locais muito movimentados e barulhentos.
''O indivíduo que já trabalha em ambiente ruidoso deve evitar ao fim do dia ter outra atividade ruidosa. Procure manter a casa em silêncio e ao perceber qualquer sintoma, busque orientação de um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo'', indica a profissional.

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