Considerado um dos maiores intelectuais brasileiros, o educador mineiro Rubem Alves, 71 anos, tinha tudo para levar as melhores impressões de sua palestra em Londrina, realizada no último dia 24. Intitulado ''Encontro com Rubem Alves'', o evento atraiu cerca de 2 mil pessoas que lotaram o auditório do Iate Clube para ouvir as histórias e idéias do autor de 81 livros publicados. Mas o que começou como um sucesso terminou em decepção. Alves não recebeu nem um centavo pela palestra e ainda ouviu do organizador do evento que ''não lhe deviam nada''.
O caso foi denunciado à Folha pelo próprio educador, que garante ter caído em um golpe. Alves cobra o preço fixo de R$8,5 mil por suas palestras, tão requisitadas que é preciso agendá-las com meses de antecedência. A única exceção são eventos beneficentes, nos quais não cobra nem das entidades organizadoras, nem do público. Não era este o caso da palestra organizada pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná (ABTD-PR) em Londrina, onde cada participante pagou entre R$20,00 e R$25,00.
Alves contou que foi contatado pelo presidente da ABTD-PR, Ademar Ramos, em outubro do ano passado. Sua assessoria teria enviado a Ramos uma cópia do contrato-padrão com o valor dos honorários, documento que deveria ser devolvido assinado para confirmar o acordo. ''Como ele não devolveu o contrato, consideramos que tinha desistido. Aceitamos o convite de outra pessoa para fazer uma palestra em Londrina e, quando começou a divulgação, o Ademar ligou reclamando e dizendo que já tinha preparado tudo, que o seu evento seria maior e teria até a presença do irmão do governador'', relatou o educador.
Ele, então, conseguiu transferir o outro evento para Maringá e consentiu em fazer a palestra para a ABTD em Londrina. ''Nós confiamos neles e não reenviamos o contrato, ficamos de acertar depois. De fato, foi um mega-evento, com 2 mil pessoas, público maior do que o esperado. Mas quando terminei a palestra o Ademar desapareceu. Nem para o hotel ele me levou''. De Campinas, onde Alves reside, seus assessores mandaram um e-mail a Ramos fazendo a cobrança. Ele respondeu que não pagaria porque, em seu entendimento, a palestra seria gratuita e os ganhos para o educador viriam da venda de livros.
''Eu não levei nenhum livro para vender. Houve venda de livros, sim, mas de uma livraria de Londrina, em comum acordo com o senhor Ademar. O que eu receberia por isso seria o mesmo percentual de direitos autorais que eu recebo por uma obra minha vendida em qualquer parte do País. Não compensaria. Eu sou palestrista, vivo disso'', defendeu Alves. Para ele, a prova de que a ABTD agiu de má-fé é que antes da palestra o presidente recebeu o contrato e mais tarde enviou e-mail dizendo ''que não seria necessário nota''. ''Estão caloteando palestristas. Estou alertando colegas de todo o País para que não caiam nessa armadilha''.

mockup