A falta de placas de identificação com nome de ruas complica o dia a dia dos moradores, dificulta o trabalho dos carteiros e atrapalha o atendimento de bombeiros e de serviços de saúde. A deficiência da sinalização é percebida em vários bairros de Londrina. No Jardim Colúmbia, na zona oeste, por exemplo, são poucas as vias identificadas. Assim como no Vista Bela, na zona norte. Em alguns ruas as placas existem, mas estão se deteriorando pela ação do tempo ou foram vandalizadas.
O casal Ondina do Nascimento Oliveira, de 74 anos, dona de casa, e Aparecido Canelli, de 84 anos, aposentado, mora na Rua Sidney Miller, no Jardim Colúmbia, há quase sete anos e afirma que nunca teve placa de identificação na rua. Para driblar o problema, eles improvisaram uma no muro da residência.
A placa improvisada facilita a localização do endereço, mas a dona de casa conta que mesmo assim sempre precisa explicar como encontrar a casa. "Se a pessoa vem aqui de ônibus, tem que dar pontos de referência, tipo desce em tal ponto. O problema é que aqui também não tem muitos lugares que possam servir de referência", reclama Ondina.
O monitor de alarmes Michel Wagner, de 36 anos, está acostumado a dar informações sobre a localização das ruas do bairro. "Quem não conhece aqui se perde porque são poucas as ruas sinalizadas. A gente tem que sempre usar pontos de referências", diz Wagner.
Ele afirma que já teve problemas com a entrega de mercadorias por causa da falta de sinalização. "Sempre que compro pela internet fico na expectativa se vou receber o produto. Se começa a demorar muito para entregar já vou atrás, porque possivelmente não localizaram o endereço", conta.

Ruas sem placa de identificação complicam rotina
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Wagner trabalha em uma empresa de vigilância e percebe a dificuldade dos colegas na hora de atender um chamado. Normalmente, eles precisam recorrer à internet para localizar os endereços. "Os bairros mais novos são os mais problemáticos. Temos sempre que procurar no Google", comenta.
O comerciante Abraão Viler, de 36 anos, rodou por várias ruas do bairro e precisou pedir informações para localizar a rua de um cliente. "Não se acha nome nestas ruas. Estou procurando a rua para entregar uma máquina para um cliente e já andei um monte aqui."
O serviço de entrega de correspondências é um dos mais prejudicados com a sinalização precária. De acordo com gerente de atividades externas dos Correios, Matheus Ricardo Caobianco Bassetto, os Correios procuram atender à população mesmo sem as condições ideais de trabalho. Os carteiros precisam andar com mapas e muitas vezes "adivinhar" o nome das ruas. A maior dificuldade é quando há troca de pessoal de uma área para outra. Os Correios não têm dados sobre o percentual de locais atendidos com falta de placas de identificação, mas Bassetto acredita que seja inferior a 10%.
Ele explica que nos bairros novos sem ruas com placas de identificação, os Correios não têm implantado a entrega domiciliar e os moradores precisam retirar as correspondências em uma agência postal. "Onde já estamos com entregas implantadas temos feito o possível para atender a população. Quando o funcionário não encontra um endereço, ele volta para o centro de distribuição e tentamos localizar nos mapas e ele volta no dia seguinte", explica o gerente.
O Corpo de Bombeiro e as equipes do Siate também precisam adotar estratégias para localizar os endereços das ocorrências. E no caso deles, o tempo de resposta pode significar vida ou morte. O socorrista do Siate, sargento Adriano França da Cruz, explica que as equipes usam o GPS e aplicativos de localização para encontrar os endereços. "Se não fosse o GPS demoraríamos muito para achar os lugares. Tem ruas que dão trabalho como no Vista Bela e no Santa Fé (zona leste). Muitas vezes tempos que perguntar para a população onde fica a rua", conta o socorrista.
Mesmo onde tem placas não é garantir de conseguir se localizar. Um exemplo é a Rua Serra das Furnas, no Jardim Bandeirantes, na zona oeste. A placa está enferrujada e com o nome apagado. O bairro também tem várias vias sem placas. O problema se repete na região central da cidade. Na esquina da Avenida Leste-Oeste com a Rua Sergipe, o poste que sustenta as placas com os nomes das vias está quase caindo. A placa, que deveria identificar a Leste-Oeste, não possui mais o nome da avenida. Já a Sergipe está com um dos lados completamente apagado.(Colaborou Paulo Monteiro/Grupo Folha)

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