Ruas pioneiras de Campo Mourão não têm nomes oficiais
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domingo, 09 de dezembro de 2001
Sid Sauer<br>De Campo Mourão 
Um levantamento feito pela Câmara de Vereadores de Campo Mourão descobriu que as principais ruas e avenidas da cidade não têm nomes oficiais. Ou seja: seus nomes não estão previstos em leis nem em decretos e podem ser mudados a qualquer momento. São quase 100 ruas na mesma situação.
O levantamento foi pedido pelo vereador Sidnei Jardim (PPS) depois que a Folha publicou, em julho, que a Rua Santa Catarina, na área central, deveria ter mudado de nome desde 1954, mas uma lei aprovada em julho daquele ano foi ''esquecida''. Jardim resolveu checar se não haveria outros casos parecidos e acabou descobrindo uma série de irregularidades, inclusive ruas com nomes de pessoas vivas.
Nem a principal avenida de Campo Mourão, a Capitão Índio Bandeira, que tem cerca de 60 anos, escapou da ''clandestinidade''. Elas e as outras nove avenidas que cortam a área central da cidade não têm nomes registrados. Para tentar resolver essa situação, Jardim apresentou 65 projetos de lei confirmando os nomes das ruas.
''A intenção é garantir os nomes que aí estão'', explica Jardim. Ele quer evitar casos como o da Rua das Oliveiras, no Jardim Ipê. A via tem esse nome há muitos anos, mas como não há registro oficial terá que mudar de denominação. É que no ano passado uma lei deu o nome de rua das Oliveiras a uma via do Conjunto Condor.
A Câmara também descobriu ruas com nomes repetidos, como a Rua das Flores, que existe nos jardins Tropical e Cidade Nova. ''Uma delas terá que mudar de nome.'' Foram descobertas ainda nos jardim Paulino, Mário Figueiredo e Vila Cândida ruas com nomes de pessoas que estão vivas. Para regularizar a situação, será preciso mudar o nomes dessas ruas.
O caso mais curioso, no entanto, ocorreu no Conjunto Ilha Bela: uma rua desapareceu. Um decreto da prefeitura diz que existe no bairro a Rua dos Abrolhos. A Câmara estranhou porque uma via do Jardim Albuquerque leva o mesmo nome. ''Fomos conferir e a Rua dos Abrolhos prevista em decreto não existe na realidade'', explica Jardim.
Campo Mourão tem ainda outros casos curiosos, como o da Vila Guarujá. O bairro surgiu há 40 anos, mas até hoje suas ruas não têm nomes. Tudo porque o loteamento ainda não foi regularizado e muitos de seus moradores não contam sequer com a escritura dos terrenos. Como oficialmente o bairro não existe, nem os Correios entregam correspondências nas casas.


