Londrina foi planejada inicialmente para acolher 20 mil habitantes e seu plano viário, baseado no ''tabuleiro inglês'', determinou a criação de ruas estreitas. Mas existem conjuntos habitacionais construídos no final da década de 1960 e início dos anos 70, que possuem ruas ainda mais estreitas do que as do quadrilátero central da cidade. São conjuntos como o do Café (Zona Leste), Vitória-régia (Zona Leste) e das Flores (Zona Sul), que possuem ruas com dimensões inferiores a oito metros, que são o padrão da cidade.
Esses bairros foram construídos durante a ditadura militar, com recursos do extinto Banco Nacional da Habitação (BNH), criado em 1964 para reduzir o processo de favelamento que os grandes centros urbanos sofriam com o aumento do êxodo rural. Segundo a assessoria de imprensa da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), os projetos do BNH seguiam um padrão inspirado nas vilas operárias inglesas, com pequenas praças para incentivar o convívio, ruas estreitas para reduzir os custos e próximas ao local de trabalho.
Inaugurado pela Cohapar em novembro de 1968, o Conjunto do Café foi o primeiro conjunto habitacional de Londrina, criado para abrigar inicialmente 270 habitantes. A peculiaridade do local é que o bairro tem sete pequenas praças para estimular o convívio entre os moradores. Ele foi construído para abrigar os operários do extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e da cervejaria que existia próxima dali.
Foi lá que a reportagem se deparou com ruas de apenas 3,20 metros de largura, menos da metade da dimensão em outras vias. O pintor Márcio César Pereira, de 42 anos, é morador da rua Raul Noronha da Silva e revela que a via estreita faz com que os moradores optem por estacionar nas calçadas para não interromper o trânsito.
Embora mais estreita, a rua não deixa de ser perigosa, uma vez que alguns motoristas insistem em trafegar em velocidade alta por lá. ''Isso pode colocar em risco os pedestres, principalmente as crianças, já que não existe para onde fugir'', aponta.
No Conjunto Vitória-régia, construído pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), a largura das ruas pode chegar a 4,10 metros. Construído pela Incopar a pedido da Cohab, o conjunto foi inaugurado em setembro de 1970 com 132 unidades habitacionais de 42,62 metros quadrados, prevendo que 396 habitantes ocupassem as moradias.
A dona de casa Emília Conceição de Freitas Vale, 69, mora na Rua Flamingo e relata que, por conta do tamanho da via, até tarefas simples como tirar o carro da garagem tornam-se complicadas. ''Não dá para comprar um carro maior porque o espaço é pequeno para manobrar'', lamenta. Ela comenta que de vez em quando aciona a ambulância para buscar o marido, mas quando algum carro está parado na rua, o veículo de socorro tem dificuldade para estacionar.
No Conjunto das Flores, as ruas têm cerca de 4,7 metros e estão dispostas em torno de uma praça triangular. O conjunto também foi construído pela Icopan a pedido da Cohab em março de 1971. Eram 90 unidades habitacionais de 35,75 metros quadrados cada, prevendo que 270 habitantes ocupassem as casas.
A dimensão reduzida, de acordo com o operador de máquinas Valdinei de Barros, 43, dificulta até a prestação de serviços básicos. Os coletores de lixo, por exemplo, muitas vezes precisam dispor os sacos de lixo em uma rua mais larga para que o caminhão possa recolhê-los.
De acordo com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), o órgão não recebeu nenhuma solicitação por parte da população ou dos bombeiros para que o estacionamento seja permitido em apenas um dos lados da via nesses bairros e não possui nenhum projeto de readequação para esses locais.

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