Ruas estão mais limpas depois de feira
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Todo dia Silene Nunes levanta cedo e parte para a feira com a família. Produtores de legumes e verduras, os Nunes participam de todas as feiras livres na Região Central de Londrina há 25 anos. E sempre cuidaram da limpeza das ruas após o desmonte da barraca.
''Separo o lixo na feira mesmo. O que é orgânico vira adubo na chácara. Já os reciclados como papéis e plásticos eu deixo num saco plástico para os lixeiros levarem'', conta Silene. E ela nunca viu ninguém ser multado por deixar bagunça depois de terminada a feira.
''Já vi feirante levar muita bronca, mas nós controlamos a limpeza entre nós mesmos, um fiscalizando o outro. Quando um vizinho esquece o lixo eu recolho e o aviso na semana seguinte e vice-versa'', diz a feirante, que garante: ''a rua fica praticamente limpa depois que a feira acaba''.
Em janeiro, uma campanha da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de conscientização dos feirantes que atuam principalmente na Zona Norte de Londrina pediu maior controle no recolhimento dos resíduos deixados pelas barracas nas ruas. Onze meses depois, o resultado da ação demonstrou-se bastante positivo, segundo o diretor de Operações da companhia, Fábio Reali.
Num giro rápido realizado no domingo, pela feira da Avenida Saul Elkind, mesmo com uma fina garoa molhando os encerados, percebeu-se um certo cuidado com o descarte do lixo. O mesmo ocorreu com as barraquinhas de pastel que funcionam do lado de fora do Estádio do Café, onde acontece uma feira de automóveis. O que se nota é o maior respeito pelos sacos e latões de lixo posicionados estrategicamente pelos comerciantes.
No Centro, na feira livre que acontece na esquina entre a Rua Alagoas e a Avenida São Paulo, é praticamente impossível saber que por ali passaram centenas de pessoas em busca de alimentos horas antes. Ao meio-dia, no final do expediente, os próprios feirantes recolhem quaisquer resquícios deixados por eles ou pelos clientes e as vias permanecem limpas como antes.
''O Município tem uma equipe que faz a varrição do local após o término da feira, mas a obrigação de recolher o lixo é do próprio feirante'', assinala Reali. Conforme ele, no entanto, a bagunça só é percebida depois do desmonte das barracas.
Um dos fatores que dificultavam a varrição da rua e a coleta do lixo pelo Município era o fato de as barracas encerrarem suas atividades em horários diferentes, o que já não ocorre mais. Na campanha de conscientização do início do ano, ficou determinado o funcionamento das feiras livres das 6 horas ao meio-dia. Também foi feito um recadastramento dos comerciantes, além do estabelecimento de formas de limpeza.
''A maior concentração de lixo ocorre na Zona Norte, até porque o movimento e o fluxo de pessoas é muito maior que em outras regiões da cidade'', justifica o diretor. Para ele, mesmo com a situação sob controle, ''não se pode descuidar''. Na Saul Elkind, por exemplo, a CMTU recolhia cerca de oito toneladas de lixo aos domingos, gerados pela feira e o comércio local.
Segundo Reali, a multa para feirantes e comerciantes que não recolherem seus resíduos pode chegar a R$ 1,5 mil e até dobrar em caso de reincidência. Desde a campanha de conscientização, a CMTU aplicou apenas notificações ''a uma dúzia de feirantes que se reenquadraram à normas'', disse o diretor.
Conforme ele, muitas vezes a culpa de tanto resíduo pelas ruas é dos clientes e não dos feirantes, ''principalmente nas barracas de pastel e frutas. Mesmo com latão de lixo do lado, a pessoa prefere jogar lixo no chão''. ''Ainda assim a responsabilidade de limpar é do comerciante'', completa Reali. A limpeza, explica, é fundamental para evitar que os restos cheguem às galerias e poluam aos rios.


