Ruas escuras mesmo com lâmpadas acesas
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quinta-feira, 03 de dezembro de 2015
Aline Machado Parodi <br>Reportagem Local
A qualidade da iluminação pública de Londrina é um dos pontos de reclamação de moradores, principalmente nos bairros. Em torno de 60% das lâmpadas ainda são de vapor de mercúrio, que consomem mais energia, iluminam pouco e podem contaminar o meio ambiente se não tiverem um descarte correto.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Multicultural, encomendada pela Folha de Londrina e a Rádio Paiquerê AM, mostrou que 50,5% dos entrevistas consideram que a iluminação pública está igual desde que a Sercomtel Iluminação assumiu o serviço. Para 21,5% a qualidade caiu, 21,5% responderam que melhorou e 6,5% não souberam opinar.
Em algumas ruas, mesmo com todas as lâmpadas funcionando, a escuridão toma conta. Os amigos Everton Augusto dos Santos, de 30 anos, cabeleireiro, e Diego de Freitas, de 27 anos, vendedor, enfrentam o breu na Rua Tanganica, no Parque Ouro Verde, na zona norte, para fazer a caminhada diária. "A iluminação é muito fraca e os postos são muito longe um do outro. É muito fácil tropeçarmos enquanto caminhamos. A gente não enxerga nada. Caminha no escuro", diz Santos.
O aposentado Paulo Otávio, de 61 anos, que mora na Tanganica desde 1992, reclama que a escuridão atrai usuários de drogas. "Eles ficam escondidos ali no escuro do outro lado da rua, fumando e vendendo drogas. Essa rua está abandonada", comenta Otávio. Além das lâmpadas fracas, as árvores também atrapalham a iluminação.
O problema da iluminação deficitária também se repete na área central. Na Rua Pirapó, na Vila Nova (área central), por exemplo, os moradores afirmam que é necessário ter mais pontos de luz. "O meu filho sai para trabalhar de manhã cedinho e tem que passar na rua no escuro. As lâmpadas são bem fracas e nem sempre estão funcionando. Aqui precisava de mais um poste ", reclamou a cozinheira Sueli Rodrigues da Silva, de 49 anos.
A falta de iluminação pública também afeta quem trafega pela Avenida Brasília, na zona norte. Há vários pontos em que as lâmpadas estão apagadas, apesar da Sercomtel, responsável pela iluminação pública, afirmar que foram feitas manutenções desde julho, em toda a extensão da via.
A Sercomtel assumiu a iluminação pública no fim do ano passado e, de acordo com o presidente Chistian Perillier Schneider, ainda está em fase de estruturação. Até o dia 30 de novembro, recebeu 24.980 chamados e fez 24.681 atendimentos. Pelo balanço da empresa foram trocadas 13.661 lâmpadas.
"Do jeito que a empresa foi criada, em menos de dois meses, o balanço deste primeiro ano é positivo. Não tivemos uma diminuição do índice de serviço prestado", comentou. Ele acredita em um avanço na qualidade do serviço a partir do ano que vem, quando a empresa estará com as equipes de manutenção completas.
Hoje, o serviço é terceirizado. "Até março devemos estar com as nossas equipes prontas. O prazo de cinco dias para atendimento será reduzido e a população vai sentir uma melhora significativa", prometeu Schneider. Segundo ele, as chuvas dos últimos meses têm atrapalhado o trabalho de manutenção.
A Sercomtel Iluminação tem projeto para substituir 20 mil lâmpadas de vapor de mercúrio, mas para isso precisa de um contrato específico com o município. No entanto, de acordo com Schneider, a empresa tem realizado algumas trocas por conta própria para mostrar os benefícios da mudança como, por exemplo, na Avenida Adhemar de Barros, na zona sul, e no Conjunto Novo Amparo, na zona norte, que deve receber 65 novas lâmpadas. A Praça Sete de Setembro, no centro, ganhou iluminação de LED, e na Rodovia Carlos João Carlos Strass, na rotatória do Lago Norte, seis superpostes deverão ser instalados.
A modernização da iluminação pública será contratada por projetos. A Sercomtel Iluminação pretende finalizar até o final de dezembro o projeto para troca das lâmpadas das principais avenidas da região central e do Lago Igapó 2.
As avenidas Higienópolis, Tiradentes, Dez de Dezembro, JK, Santos Dumont e Madre Leônia Milito devem receber lâmpadas de LED. A estimativa inicial é de um investimento em torno dos R$ 5 milhões. O custo de manutenção das lâmpadas de LED é mais alto, mas, segundo a empresa, a economia de consumo de energia e a qualidade de iluminação compensam.